Brad Penner-USA TODAY Sports
Brad Penner-USA TODAY Sports

Sem acordo por direitos iguais, equipe feminina dos EUA mantém ameaça de processo

Campeãs mundiais não conseguem ser atendidas em reclamações por premiação e condições de trabalho no país de Donald Trump

Redação, Estadão Conteúdo

15 de agosto de 2019 | 12h16

Terminou sem acordo na noite de quarta-feira, em Nova York, mais uma tentativa de conciliação entre a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos, que recentemente conquistou na França o título do Mundial, e a federação de futebol do país, a USSF (na sigla em inglês), na batalha fora de campo por premiações e condições de trabalho iguais às da equipe nacional masculina. Assim, as jogadoras lideradas por Megan Rapinou mantêm a promessa de levar o caso aos tribunais, alegando discriminação de gênero.

"Nós chegamos a essa semana de mediação com os representantes da USSF cheias de esperança. Hoje (quarta-feira), concluímos estes encontros dolorosamente desapontadas com a determinação da Federação de perpetuar fundamentalmente um comportamento e um ambiente de trabalho discriminatórios. Está claro que a USSF, incluindo seu Conselho de Diretores e o presidente Carlos Cordeiro, pretendem continuar compensando as jogadoras mulheres com menos do que os homens", informou nota oficial das jogadoras da seleção do país de Donald Trump.

"Não vão conseguir. Queremos que nossos fãs, patrocinadores, colegas em todo o mundo e mulheres de qualquer lugar saibam que nós estamos destemidas e vamos buscar avidamente por um julgamento no tribunal", encerrou o comunicado divulgado à imprensa ainda na noite de quarta-feira.

A USSF, também em nota oficial, informou que deseja chegar a um acordo com a seleção feminina sem a necessidade de levar o caso à Justiça.

"Já dissemos várias vezes que nosso objetivo é encontrar uma solução. Durante a mediação, esperávamos ser capazes de abordar os problemas de maneira respeitosa e chegar a um acordo. Infelizmente, em vez de permitir que a mediação proceda de maneira atenciosa, o conselho dos demandantes adotou uma abordagem agressiva e, em última instância, improdutiva, que se segue depois de meses de apresentação de informações enganosas ao público, em um esforço para perpetuar a confusão. Nós sempre sabemos que podemos fazer mais", afirmou a federação.  

"Valorizamos nossas jogadoras e temos continuamente mostrado isso, fornecendo-lhes compensação e apoio que excedem qualquer outra equipe feminina no mundo. Apesar das declarações inflamadas de seu porta-voz, que tem a intenção de pintar nossas ações de forma imprecisa e injusta, somos destemidos em nossos esforços para continuar as discussões de boa fé", concluiu a nota oficial.

As jogadoras da seleção norte-americana deixaram claro antes de embarcar para a França que buscavam mais do que um troféu, mas sim direitos iguais em campo, e que usariam a exposição no Mundial como plataforma política. Em março, no Dia Internacional da Mulher, 28 jogadoras decidiram processar a federação americana de futebol para pedir salários iguais aos dos jogadores. Elas alegam que jogaram 19 partidas a mais do que a seleção masculina em um período de três anos, gastaram mais tempo em viagens, treinos e coletivas de imprensa, mas mesmo assim recebem o equivalente a 38% da remuneração paga aos homens.

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