Dylan Martinez/Reuters
Dylan Martinez/Reuters

Sem alarde, goleiros de França e Uruguai estão prontos para dura missão

Hugo Lloris e Fernando Muslera vão enfrentar ataques poderosos nesta sexta-feira, pelas quartas de final da Copa

Glauco de Pierri. enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 00h00

Eles terão uma missão bem difícil nesta sexta-feira, na Rússia: impedir os gols de Kylian Mbappé e Luis Suárez (além dos outros jogadores das duas seleções, é claro). Em silêncio e com muito trabalho, os goleiros Fernando Muslera e Hugo Lloris chegam para a disputa das quartas de final da Copa do Mundo por Uruguai e França com a confiança de seus treinadores e prontos para a possibilidade de a vaga na semifinal ser decidida nos pênaltis.

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Lloris, goleiro do Tottenham, conversou com a imprensa ontem. “Cada jogo tem a sua própria história, mas, se a decisão for para os pênaltis, estarei preparado. Antes haverá os 90 minutos, a prorrogação”, disse o goleiro francês, que alertou para os perigos que vê no rival. 

“Já conversamos. Não podemos ficar concedendo escanteios ou faltas próximas à área. O Uruguai faz muitos gols, mesmo criando pouco. Às vezes, eles precisam só de uma chance para marcar um gol. Por isso é um dos adversários mais complicados do Mundial”, afirmou o arqueiro francês. 

Lloris já foi muito contestado pela impressa francesa. Tanto é que o técnico Didier Deschamps precisou responder uma pergunta sobre se trocaria de goleiro no fim da prorrogação. “Eu tenho direito a quatro mudanças e essa não será uma delas. Você acha que ele (Lloris) não pode defender um pênalti? Se não tivesse funcionado para Van Gaal, ele teria colocado um chapéu de burro na cabeça. Se não tiver nenhum problema físico, Hugo vai até o fim”. A citação a Van Gaal se refere à Copa de 2014, quando o holandês trocou Jasper Cillessen por Tim Krul no final do segundo tempo da prorrogação entre Holanda e Costa Rica, e conseguiu a classificação.

 

O goleiro francês ainda contou sobre a pressão que os 22 jogadores terão para disputar a partida. “Uma Copa é o máximo de estresse físico e psicológico. Espero que tenhamos a cabeça no lugar, sorte e êxito para seguir avançando. Isso sem deixar de respeitar o rival e centrados nas nossas características.”

Do lado uruguaio, Muslera treinou cobranças de pênaltis ontem. Nem todo mundo sabe, mas o goleiro nasceu em Buenos Aires, na Argentina, mas tem pai e mãe uruguaios. E ele veio ao mundo no momento em que Argentina e Uruguai disputavam as oitavas de final da Copa do Mundo do México, em 1986, que terminou com vitória argentina, com gol de Pedro Paulo Pasculli.

As enfermeiras, então, sugeriram aos pais de Muslera que lhe dessem o nome de Pedro Paulo. “Mas eles não sabiam que os meus pais eram uruguaios”, disse o jogador ao site da Fifa. Seus pais decidiram colocar no bebê o nome de Fernando, em homenagem ao artilheiro do campeonato uruguaio daquele ano e vice-artilheiro da Copa Libertadores, Fernando Morena. “Levo o nome de um futebolista, porém, de um que jogou do outro lado do Rio da Prata”, explicou. 

Então, aos oito meses de vida, seus pais voltaram ao Uruguai. “No meu passaporte consta que eu também tenho a nacionalidade argentina, mas o meu sentimento é 100% uruguaio, sem dúvida nenhuma”, continuou o goleiro. Em silêncio, os candidatos a heróis do jogo de logo mais tentam levar suas seleções para a fase semifinal da Copa.

 

 

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