Sem as Ligas futebol acaba, diz Pelé

Pelé continua acreditando que o Brasil estará na Copa do Mundo do ano que vem, mas alerta que é preciso fazer uma reformulação urgente no futebol do País. "Se não forem formadas as Ligas, o nosso futebol vai acabar". Defende, porém, a profissionalização do setor. "Não adianta fazer as ligas e elas continuarem nas mãos de quem está aí". Hoje, ele almoçou com o prefeito de Guarujá, Maurici Mariano (PTB), mas conversou antes com os jornalistas. O ex-jogador começou a conversa com Mariano lamentando o atentado ocorrido em Nova York. "Minha filha mora perto de um estacionamento em que as pessoas que trabalhavam no World Trade Center deixavam o carro e iam de metrô até o serviço. Ela disse que os veículos estão todos lá, numa situação angustiante porque há seis mil pessoas desaparecidas". Mas o assunto que predominou foi mesmo o futebol. Pelé comentou o momento delicado vivido pelo futebol brasileiro. "Enquanto a Argentina montou seu time e treinou seis meses com os mesmos jogadores, o Brasil ficou naquele negócio de exposição de jogadores para serem vendidos na Europa: cada técnico levava dez atletas novos, mudava cinco por jogo e, com isso, não foi formada a seleção". Mesmo assim, acredita que o País não ficará fora da Copa de 2002: "Faltam três jogos e o Brasil vai chegar lá". A crise atual, segundo ele, é decorrente da falta de profissionalismo dos dirigentes, o que levou ao afastamento dos investidores. "A grande chance foi perdida há três anos, quando todas as empresas estavam querendo investir aqui, mas por falta de profissionalismo, todas foram rechaçadas". Pelé falou também da desclassificação da seleção Sub-17: "a França investiu muito no futebol e, nos últimos oito anos, foi duas vezes campeã mundial e os jovens têm um exemplo a seguir e, por isso, estão jogando muito bem". Comparou a situação com a do Brasil: "depois de Pelé e Zico, os jovens de hoje não têm alguém para se espelhar; tinham o Ronaldinho, mas ele se machucou e a seleção perdeu a copa". Pelé não vê entre os jogadores atuais alguém que se torne um exemplo a ser seguido e não entende o comportamento dos atletas que, ao marcar o gol, correm para abraçar o técnico. "O meia faz toda a jogada, dá a bola para o companheiro marcar e, quando marca, ele não vai abraçar quem lhe possibilitou marcar o gol; corre para abraçar o técnico". Rompido com a atual diretoria, Pelé continua torcedor santista e foi nessa condição que elogiou a melhora do time nas três últimas partida. "A chegada do Marcelinho, Viola voltando a fazer gols, tudo é muito bom", disse ele, confessando que sofre em seu "camarotezinho na Vila Belmiro". Ele sempre foi um defensor da contratação de Cabralzinho e estava satisfeito com o retorno do treinador. Sobre Marcelinho Carioca, acha que "dentro de campo é um excelente jogador", esperando que "fora de campo, ele não arrume confusão".

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