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Antero Greco
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Sem contestação

Há tanta confiança nas listas de Tite que há medo que algo saia errado na Copa do Mundo da Rússia. Isola!

O Estado de S.Paulo

18 de março de 2018 | 04h00

Tite construiu imagem de competência e seriedade. Nisso entraram uma pitada de marketing, o que não é pecado nenhum, e muita realidade. As atitudes no dia a dia, nos clubes em que trabalhou, e as conquistas de taças dos mais variados formatos e importância funcionam como atestado comprobatório de qualidade. Virou uma grife. Se bobeasse, hoje poderia candidatar-se à presidência da República. Tem tanto pretendente por aí, e uns que vou te contar... Bom, mas esta é conversa para outra hora.

De quebra, viu a aceitação popular disparar depois que pegou a seleção descadeirada, macambúzia, fora da zona de classificação para a Copa, e num zás-trás lhe deu vaga para a Rússia com muita folga. Recolocou o Brasil no mapa dos candidatos ao título mundial. Com futebol em nada a dever para Alemanha, Espanha, França, Argentina, teoricamente outros favoritos.

O alto conceito desemboca em contestação perto de zero. Faz tempo que não vejo um treinador da seleção receber tão esporádicas cornetadas, seja da crítica, seja do público. Mérito dele e colaboradores, sem dúvida. Mas dá até um certo medo. Pode ser superstição, pode ser reação de escaldado, pode ser instinto, pode ser bobagem. Ou tudo isso junto. Porém, nas vezes em que o comandante da amarelinha foi tratado a pão de ló, como guru ou professor sabe-tudo e intocável, a coisa desandou.

Só para relembrar: Telê em 1982, Parreira em 2006, Felipão em 2014, para ficar em exemplos marcantes, tinham aprovação de dar inveja a político em tempo de eleição, com carta branca para chamar quem quisessem e esnobar qualquer um. Igual ao que ocorre com Tite. Era uma reclamação de leve aqui, uma reprimenda ali, um pedido para este ou aquele jogador. Nada veemente, e tudo beirava à unanimidade. Em todas essas, ficamos a ver navios.

Repare que não se contestam listas de Tite. No máximo, fica uma interrogação a respeito de quem joga na China ou em centros menos badalados da Europa, como Turquia, Ucrânia e arredores. Ainda assim, de maneira tímida, quase fosse sacrilégio ter dúvidas. Se, de repente, aparecem Talisca, William José ou Neto ninguém estranha. Ou, se estranha, imagina: “Alguma razão forte deve ter para serem lembrados.” Se Fagner, Fred (Shakhtar, fornecedor habitual de convocados), Rodrigo Caio têm novas oportunidades, idem.

Não há o calor do debate – se bem que este começou a morrer no dia em que a maioria dos integrantes da seleção passou a atuar no exterior. Tanto faz se o sujeito joga na Roma ou no Besiktas, no Valencia ou no Beijin. A discussão esquentava quando havia mais corintianos do que palmeirenses, mais vascaínos do que cruzeirenses etc. e tal.

A questão é: confia-se cegamente nos critérios de Tite e auxiliares. Supõe-se que tenham avaliações criteriosas e rigorosas a respeito dos jovens atletas, sem margem para erro. A preparação soa impecável. Tomara, faço figas para que assim seja e que voltem vitoriosos da expedição. Tudo anda tão sem sobressaltos na seleção – exceto a contusão de Neymar e agora o susto com Filipe Luiz –, que assusta. Não seria bom dar umas “buzinadas”? Sei lá, por cisma, para não ficarem folgados...

MICOS

Jogador ir à Justiça do Trabalho para pedir quebra de vínculo empregatício não é raro; há diversos casos na legislação nacional. No entanto, sempre existe risco de recusa. Por isso, eventuais interessados ficam com pé atrás, antes de sair sentença final. O Palmeiras confiou em vitória de Scarpa, no processo contra o Flu, fechou acordo, colocou-o em campo e agora fica a ver navios, após a cassação da liminar que o liberava. Deveria ter avaliado as consequências. O Corinthians quase enveredou por caminho semelhante com Zeca, do Santos. Recuou em tempo.

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