Nilton Fukuda/Estadão
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Sem Copinha e Mundial

O torcedor do Palmeiras clama pela conquista destas duas competições há anos

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2020 | 04h00

O Palmeiras é um time vencedor. Já deu muitas alegrias para sua torcida, algumas delas muito recentemente. Na lenta cronologia do futebol, que nos faz lembrar de esquadrões memoráveis de décadas passadas, fixos em nossas recordações, o torcedor palmeirense sabe o peso da camisa que veste. Mesmo assim, é gozado pelos rivais por causa da incapacidade de ganhar duas competições importantes: a Copinha e o Mundial de Clubes. O Mundial já virou uma gozação nacional, com musiquinhas e memes dos mais variados possíveis.

Torcedores ‘espíritos de porco’ já provocaram a sátira além das nossas fronteiras. Dada a rapidez com que a notícia navega hoje, “Palmeiras sem Mundial e sem Copinha” virou hit.

E isso incomoda sua torcida. Daí a necessidade de o Palmeiras repensar o tratamento para essas duas competições, uma em nível ainda amador, com a garotada na antessala do profissionalismo, e outra muito mais difícil porque passa pelo caminho da conquista da Libertadores e depois do Mundial em si, contra rivais “desconhecidos” e um europeu – no formato ainda desta temporada, mas que a Fifa já anunciou mudanças a partir de 2021 para 24 clubes, sendo oito do futebol da Europa, o que tornará a disputa muito mais dura para os times sul-americanos, que teriam seis participantes, e não mais apenas um, o campeão da Libertadores.

A Copinha não vale muito no sentido prático, mas na cabeça do torcedor do Palmeiras é inaceitável não ter nenhuma conquista enquanto seu maior rival, o Corinthians, ter dez. A turma que comanda o Palmeiras sabe bem o que é rivalidade. Ela nasce no berço, a partir da primeira camisa ganha do pai, da mãe, do padrinho... O pensamento é simples. Se o adversário ganha, o Palmeiras tem de ganhar também.

Revelar garotos para o time de cima e, consequentemente, fazer dinheiro na venda desse menino sempre foi o nosso maior negócio no futebol. Revelar e vender faz parte do nosso DNA. 

Temos orgulho de ver jogadores forjados nas bases dos nossos times brilhando na Europa. É como se a bandeira da equipe brasileira tremulasse também a cada gol ou boa jogada nos grandes times daquele continente. Ocorre que o palmeirense, nesse momento, anseia comemorar uma Copinha e acabar com essa falta em sua galeria.

Luxemburgo levou para os Estados Unidos alguns dos principais garotos do time juvenil que fracassou mais uma vez no torneio, desta vez diante do Goiás. O treinador precisava dos meninos para compor elenco, e dar continuidade em suas carreiras, como a de Veron, atacante revelação e uma das principais apostas do clube. É perfeitamente legítima a decisão do técnico. Mas volto a insistir que a torcida do Palmeiras gostaria de ver esses meninos tentando ganhar a Copinha-2020.

Da mesma forma, o Palmeiras acerta em sua obsessão de participação na Libertadores como caminho natural para ganhar a disputa. A cada edição, o time, de alguma forma, vai amadurecendo e se sentindo mais à vontade em jogar o torneio sul-americano. Já esteve perto de conseguir seu objetivo com times interessantes, mas que se provaram nas fases agudas não merecer a vaga. Detalhes separaram o Palmeiras nos últimos anos de chegar à semifinal ou mesmo à final da Libertadores. Sua única conquista foi aquela de 1999, quando depois perdeu o Mundial de Clubes para o Manchester United, em partida única no Japão.

Ganhar a Libertadores deve sempre estar no projeto do Palmeiras, como esteve nas últimas temporadas e está nesta também. Não é fácil, mas não é impossível. E aí partir para o Mundial como fizeram os vencedores brasileiros da América nos últimos anos, inclusive seu maior rival, o Corinthians, na edição de 2012, diante do inglês Chelsea.

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