Damien Meyer/AFP
Damien Meyer/AFP

Sem Daniel Alves, seleção perde também seu maior líder

Lateral-direito de 35 anos tem mais de 100 jogos pelo time e se destaca também por atuação fora de campo

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 17h05

Quase 12 anos de seleção brasileira, 135 convocações, 108 jogos, sete gols. Daniel Alves é aos 35 anos o jogador mais experiente da geração atual que defende a "amarelinha". É frequentador assíduo da equipe desde setembro de 2006. Disputou as duas últimas Copas do Mundo e foi capitão em momentos importantes, como nos recentes amistosos contra Inglaterra, no ano passado, e Alemanha, em março.

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Títular absoluto com todos os últimos treinadores da equipe nesse período - Dunga, duas vezes, Mano Menezes, Felipão e agora Tite -,

Daniel Alves não era importante para a seleção brasileira que vai tentar o sexto título mundial na Copa da Rússia apenas do ponto de

vista técnico e tático. Também era um dos líderes do grupo, talvez até o maior deles.

Externamente, o lateral sempre colocava a "cara para bater" nos momentos mais difíceis, participando de entrevistas - até por não ter

dificuldade em rebater de primeira colocações que considerava injustas -, defendendo os companheiros, o trabalho dos treinadores

(ainda que reservadamente discordasse de métodos, propostas táticas e comportamento) e às vezes até se exagerava ao dizer que dar apoio incondicional à seleção era quase uma obrigação dos brasileiros, torcedores e da imprensa.

Na véspera da final da Copa das Confederações de 2013, por exemplo, assumiu o microfone para reclamar, com tom de quem dá o troco, de todos os jornalistas que não acreditavam na seleção no início do torneio. Mas no dia seguinte, após a vitória por 3 a 0 sobre a

Espanha que deu a taça ao Brasil, preferiu comemorar a demonstrar algum rancor.

Internamente, sempre foi um jogador de grupo. Aconselhava os mais novos,"colava" naqueles que estavam se sentindo "pra baixo"' por  algum motivo. Com o tempo, tornou-se o principal "parça" de Neymar dentro da seleção - assim como é no vestiário do Paris Saint-Germain.

É uma relação antiga. Em 2014, quando Neymar sofreu a contusão no jogo com a Colômbia que o tirou do Mundial, Daniel Alves liderou os atos de solidariedade ao atacante nos dias que se seguiram ao corte.

Daniel Alves têm 38 títulos na carreira. É disparado o jogador com mais taças conquistadas no futebol atual. Mas, aos 35 anos, é

bastante provável que termine a carreira sem ganhar o troféu mais importante, o de campeão mundial.

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