Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Sem Del Nero na CBF, Fifa libera US$ 100 milhões como legado da Copa de 2014

Dinheiro recebido vai para programas de desenvolvimento e para a administração de federações de estados que não receberam jogos em 2014

Almir Leite e Jamil Chade, enviados especiais / Moscou, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 15h54

Os presidentes de federações estaduais vão sair de Moscou com uma certeza: ficarão mais ricos. A informação de que novos recursos serão distribuídos foi prestada numa reunião nesta terça-feira na Rússia, na qual também estava o presidente da CBF, coronel Antônio Nunes.

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A cúpula da entidade brasileira revelou aos dirigentes estaduais que a Fifa atendeu a um pedido da CBF e vai liberar quase US$ 100 milhões (cerca de R$ 378 milhões) que havia prometido ao futebol brasileiro como parte do legado da Copa de 2014.

O dinheiro vai para programas de desenvolvimento e para a administração de federações de estados que não receberam jogos da Copa, há quatro anos. Esta havia sido a forma pela qual a CBF compensou locais que perderam a disputa para ser sede do Mundial.

O acordo foi fechado há duas semanas depois que Marco Polo Del Nero foi definitivamente afastado da entidade brasileira. A promessa dos recursos foi feita em 2014. Mas os pagamentos foram suspensos diante das prisões de cartolas sul-americanos em 2015. Por estar indiciado, Del Nero era o principal obstáculo para que o dinheiro fosse transmitido e todos os pagamentos foram congelados.

Em outubro de 2017, um acordo chegou a ser desenhado entre CBF e a Fifa para a criação de uma empresa conjunta que, então, administraria o dinheiro. Assim, a Fifa driblaria a presença de Del Nero e o dinheiro conseguiria, ainda assim, ser distribuído.

Mas, com o fim da administração de Del Nero e seu banimento da Fifa, a empresa conjunta já não tinha motivo de existir e a CBF convenceu a entidade internacional a liberar o dinheiro. A Fifa atendeu ao pedido.

A informação sobre a liberação do dinheiro ocorreu numa reunião em Moscou. Após quase duas semanas na Rússia, os presidentes de federações estaduais que viajaram a convite da CBF tiveram nos dois últimos dias um compromisso oficial em que foram tratados vários temas administrativos. Os encontros ocorreram na Casa Conmebol, em Moscou, na segunda e na terça-feira. Rogério Caboclo, chefe da delegação da seleção brasileira na Rússia e futuro presidente da CBF, esteve presente.

 

Na reunião em Moscou, a entidade brasileira fez um relato aos presidentes de federações - alguns presidentes de clubes também estão na Rússia e estiveram na Casa Conmebol - sobre o que está sendo feito para que enfim os dólares sejam enviados ao Brasil. Falou-se das medidas de transparência e controle que estão sendo adotadas e foi prometidos às federações o seu quinhão.

Também foram tratados temas como a janela internacional de transferência e a questão da venda dos direitos internacionais, que interessam mais diretamente aos clubes.

CORONEL

Mas essa foi também a primeira participação do presidente da CBF, coronel Antonio Nunes, em um evento nos escritórios montados pela Conmebol. A entidade regional já havia realizado pelo menos duas reuniões no local. Mas o coronel não apareceu em nenhuma delas.

Ele rompeu um acordo de votar na candidatura tripla de Estados Unidos, Canadá e México para sede da Copa de 2026. Sua decisão deixou os demais membros da Conmebol irritados e a entidade chegou a consultar a possibilidade de um afastamento do dirigente brasileiro.

Pelo cronograma estabelecido pela CBF, os presidentes de federações assistem nesta quarta-feira ao jogo entre Brasil e Sérvia, no Spartak Stadium, e na quinta embarcam de volta ao Brasil.

 

 

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