Sem depor, Mano se indigna com liberação de invasores ao CT do Corinthians

Durante a invasão, o treinador corintiano esteve reunido com os líderes do grupo das organizadas

Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2014 | 08h25

SÃO PAULO - Testemunha-chave da invasão de mais de 100 torcedores ao CT do Corinthians, ocorrida no dia 1º de fevereiro, o técnico Mano Menezes ainda não foi chamado pela Polícia Civil para prestar depoimento e ajudar na identificação dos vândalos. Durante a invasão, o treinador esteve reunido com os líderes do grupo. Eram cinco torcedores. Um deles Mano conheceu em 2008, em sua primeira passagem pelo Corinthians.

Às vésperas da partida de volta das oitavas de final da Copa do Brasil contra o Goiás, o torcedor esteve no Parque São Jorge, onde pediu que o treinador antecipasse a concentração dos jogadores - o time havia perdido a partida de ida por 3 a 1. Na conversa, que teve com o torcedor no dia 1º de fevereiro, Mano lembrou que não atendeu o pedido feito em 2008 e que o Corinthians bateu o Goiás por 4 a 0 e se classificou para as quartas de final. Agora, pediu que a torcida tivesse paciência e voltasse a confiar no seu trabalho.

Além de não ter ouvido Mano, a Polícia Civil não colheu o depoimento do atacante Paolo Guerrero. O peruano, segundo o presidente Mario Gobbi, teria sido esganado por um grupo de invasores - o atacante nega a agressão. O dirigente, que não estava no CT no momento da invasão, no entanto, já foi ouvido pela Polícia Civil.

Apesar de ter deflagrado a "Operação Hooligans", que contou com a participação de 90 policiais, a Policia Civil conseguiu identificar até agora apenas quatro invasores. Três chegaram a ser presos, mas foram soltos na segunda-feira por determinação do juiz Gilberto Azevedo de Moraes Costa. Na decisão, ele diz que "tudo não passou de um ato (nada abonador) de revolta dos torcedores. Fiéis que são e disso a própria equipe se vangloria, queriam apenas chamar a atenção: fazer com que os jogadores honrassem os salários que ganham; mostrando um futebol verdadeiramente brasileiro".

Mano, que ainda espera ser chamado para ajudar na identificação de mais invasores, mostrou indignação com a decisão. "Socorro! Isso dá uma ideia muito clara dos problemas que estamos enfrentando no País. Após cada acontecimento a gente fica mais preocupado porque tudo que se tinha de valor, de uma hora para outra, muda. É como se todos nós tivéssemos o direito de entrar em uma repartição pública, onde o trabalho julgamos que não está tão bom, e quebrar a repartição", disse.

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