Luzia Lopes Neves
Luzia Lopes Neves

Sem dinheiro, garoto de 8 anos desenha seu próprio álbum de figurinhas

Pedro Henrique fez os retratos dos craques da Copa do Mundo com a ajuda dos amigos, que emprestaram cromos ao menino

José Maria Tomazela / Sorocaba, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 05h00

Ao ver que a mãe não teria dinheiro para ajudá-lo a preencher o álbum oficial da Copa do Mundo da Rússia, o estudante Pedro Henrique Blaco Arouca, de 8 anos, decidiu desenhar seu próprio álbum com os jogadores. Dos dedinhos ágeis, foram saindo retratos de Neymar, Philippe Coutinho, Gabriel Jesus, isso para ficar apenas nos brasileiros. Em poucos dias, ele tinha completado seu álbum com 126 figurinhas de jogadores - todas desenhadas e pintadas pelo persistente Pedro Henrique.

+ Na fábrica, muito cuidado com as figurinhas da Copa do Mundo

+ Brasil é o país que mais consome figurinhas do álbum da Copa da Rússia

+ Crianças adoram camisa amarela da seleção e não implicam com Neymar

Aluno do 3.º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Professor Antonio Xavier de Mendonça, em Bauru, interior de São Paulo, Pedro Henrique acabou virando a “figurinha” da escola pública. De acordo com a professora de Educação Física Maria Cristina Herculiani, que desde o início incentivou o garoto, outros alunos também passaram a desenhar seus próprios álbuns. “Nem todos têm o dom do Pedro para o desenho, mas estamos expondo os álbuns no mural da escola e virou uma atração”, disse.

Foi da diretora Luzia Lopes Neves a iniciativa de levar a Copa para dentro da escola, que atende cerca de 400 crianças de 6 a 11 anos. A ideia, contou, era incentivar práticas interativas e estimular as habilidades dos alunos, além de dar noções de geografia e história. “Em 2014, quando a Copa foi no Brasil, fizemos um álbum coletivo e expusemos nos corredores da escola. Os resultados foram tão bons para os alunos que decidimos repetir nesta copa.”

Foi quando Pedro Henrique chamou a atenção, observando e desenhando os jogadores em seu álbum. “Ele fica ali no corredor olhando e depois ia para casa e lá, de memória, desenhava os jogadores”, disse. O talento do menino foi notado pela professora Maria Cristina, que passou a incentivar o garoto. “Acabei levando os desenhos que ele estava fazendo para as outras classes e isso gerou uma sinergia entre eles.”

 

O menino conta que a maior dificuldade foi conseguir as fotos de alguns jogadores estrangeiros. Logo, outros alunos da classe resolveram o problema, emprestando suas figurinhas para que ele copiasse. 

Pedro Henrique agora é incentivado pela mãe, Gleice Barizon Blanco, mas, no início, ela teve receio de que ele sofresse bullying na escola por não ter dinheiro para comprar figurinhas. O pai de Pedro morreu quando ele tinha 2 anos e a mãe, que trabalha como caixa de supermercado, não podia dispor de seu salário - cerca de R$ 1 mil - para comprar figurinhas para o filho. Quando viu o esforço do menino, ela decidiu dar a ele o álbum oficial. 

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.