Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Sem euforia, Felipão quer se classificar já contra o México

Técnico da seleção sabe, porém, que a missão é difícil. 'México é uma pedra no nosso caminho faz muito tempo'

Sílvio Barsetti - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2013 | 07h59

BRASÍLIA - A vitória por 3 a 0 sobre o Japão foi tratada com cautela pelo técnico da seleção, Luiz Felipe Scolari. Claro que gostou do resultado, mas se mostrou contido ao falar da atuação da equipe. Durante entrevista, ele já começou a pensar na melhor maneira de vencer o México, quarta-feira, em Fortaleza. "A equipe vai tentar agora se classificar já na quarta. Não vai ser fácil. O México é uma pedra no nosso caminho faz muito tempo", disse.

 

Felipão pediu que não usassem mais a expressão "família Scolari", que marcou a campanha do título mundial de 2002, quando também era o técnico da seleção. "O que aconteceu em 2002 ficou para trás. Não tem mais ‘família Scolari’", destacou, para, em seguida, sugerir como devem ser tratados os jogadores da seleção atual. "Podemos ter um grupo muito amigo, em que os atletas estão construindo um ambiente muito bom, o que já deu para notar nesses últimos 15 dias de convívio."

 

Observado pelo auxiliar Flávio Murtosa e pelo coordenador técnico Carlos Alberto Parreira, Felipão elogiou o comportamento tático do time. Enfatizou que a seleção teve desempenho facilitado pelo gol, logo no início, de Neymar. Admitiu, porém, problemas na armação. "Nossos dois meias estavam bem marcados, não tinha como passar a bola com qualidade para eles."

 

O técnico preferiu dar algumas respostas curtas e destacou o papel de Fred no time. "Às vezes chegam coisas aos atletas que não condizem com a realidade", comentou. "O Fred não fica isolado. Ele participa sim do jogo. Hoje, deu o passe para o Neymar. Fez isso contra a França, com o Oscar. Por isso, ele é muito útil."

 

Para o treinador, a tendência é uma melhora gradativa da produção do time com a sequência dos jogos. Ao ser indagado sobre o desempenho de Neymar e o porquê de ele ter sido substituído no segundo tempo por Lucas, foi breve. "Atuação boa. Saiu por estar lesionado."

 

Felipão também ficou satisfeito com a torcida. Ressaltou que o apoio do público foi mais efetivo por causa do primeiro gol, com apenas 3 minutos de partida. "Isso criou uma empatia. Se demorássemos a fazer o gol, se saísse só no segundo tempo, por exemplo, poderia ter sido diferente."

 

Desde já, conclamou a torcida de Fortaleza, para onde a seleção viaja neste domingo, a se envolver com a equipe. "Lá, o torcedor também é fantástico." Citou um dado que, segundo ele, intimida os adversários. "Vocês viram o jeito que os torcedores cantaram o hino nacional? Isso já amedronta o adversário."

 

Ele deu a entender que a demanda do técnico nessa competição no País tem sido muito superior à de outras situações. "Não tenho tempo para nada. São muitas solicitações, tem de conviver com isso, mas não passo nada disso para eles (jogadores)", declarou, ao ser questionado se sabia do teor de entrevistas recentes de Fred e Neymar. Por fim, disse que o atacante Jô, convocado na última hora, por causa do corte de Leandro Damião, está aproveitando a oportunidade. "Era um dos 40 relacionados para os 23 que chamamos. Teve a chance, veio e já fez o dele. É um centroavante canhoto, difícil de ser marcado. Está plantando para colher mais tarde."

 

Felipão não quis falar sobre as vaias antes do jogo ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, e à presidente Dilma Rousseff. "Só abordo aqui a parte técnica."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.