Alex Silva/ Estadão
Alex Silva/ Estadão

Sem futebol, arenas buscam opções para se reinventar durante crise

Gestores de estádios precisem pensar em novas formas de faturar e até se preparar para uma retomada lenta do setor

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2020 | 07h00

Os estádios brasileiros estão em um cenário ainda mais desolador durante a pandemia do novo coronavírus. O problema mundial tirou as duas principais fontes de renda desses locais: os jogos de futebol e os grandes shows. Agora, os gestores desses locais admitem a busca por novas opções e até a repensarem o antigo modelo de negócios.

Um estudo da consultoria BDO prevê que os estádios dos 20 times que disputaram a Série A em 2019 tenham com a pandemia uma perda de receita bruta estimada em R$ 79 milhões. Atualmente alguns locais famosos do futebol brasileiro trocaram de função e passaram a obrigar hospitais de campanha, casos do Pacaembu e do Maracanã, por exemplo.

As arenas multiuso brasileiras construídas nos últimos anos e voltadas principalmente à expansão desse tipo de negócio gerada pelas obras da Copa de 2014 têm sofrido com a longa quarentena. "Se para um lado o clube de futebol consegue retomar o calendário e ter algumas receitas seja por transmissão ou por patrocínio, uma arena não consegue faturar porque depende principalmente de jogos ou shows", explicou Carlos Aragaki, coordenador da Câmara de Contadores do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) e especialista em assuntos de finanças do futebol.

Na opinião dele, as arenas precisem pensar em novas formas de faturar e até se preparar para uma retomada lenta do setor. "Não significa que ao fim da pandemia, o torcedor vai voltar de forma instantânea. É possível que sem uma vacina para o coronavírus, o público continue a evitar aglomerações e não volte ao estádio, show, cinema, teatro e outras opções", explicou.

A arena brasileira que mais recebe shows, o Allianz Parque, encontrou como alternativa o cinema drive-in. No fim deste mês o estádio do Palmeiras abrirá o campo para receber 300 carros. De dentro de cada veículo, as pessoas verão um filme, a exemplo do modelo feito principalmente na década de 1950. "A gente nunca se preocupou com aglomeração, mas agora temos de pensar nisso. Vamos criar um jeito para o público ter uma excelente experiência, mas de dentro dos seus carros", disse o diretor de marketing e inovação do estádio, Márcio Flores.

Fora o drive-in, o Allianz Parque busca renegociar os contratos de 96 clientes donos dos 160 camarotes. O objetivo é ter novos acordos seja para extensão contratual ou desconto de taxas para não perder os parceiros.

A Arena Fonte Nova também passa por uma fase complicada e se dedica em atrair eventos para compensar as perdas de 2020. "A gente vem trabalhando fortemente na captação de grandes eventos que devem acontecer em 2022 e 2023 no Brasil", afirmou o presidente da Fonte Nova, Dênio Cidreira. A administração da Arena Castelão, em Fortaleza, admite que no momento tem buscado cortar custos e já a Arena das Dunas, em Natal, estima que a paralisação dos eventos provocou queda de 80% na receita deste primeiro semestre.

"A maioria das arenas, por serem recentes, estavam praticamente no primeiro ciclo de implementação de modelo de negócio, e como acompanhamos, com raros exemplos de sucesso como o Mineirão e o Allianz Parque, no que diz respeito a calendário de conteúdo, experiência e finanças", afirmou o fundador e diretor de criação da Lmid, Gustavo Herbetta, ex-gerente de marketing do Corinthians.

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