Lucas Figueiredo/ CBF
Lucas Figueiredo/ CBF

Sem garantias do governo, Brasil retira candidatura ao Mundial Feminino de 2023

CBF afirma entender a cautela do Governo Federal em função dos graves efeitos econômicos da crise do coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 19h06

A CBF anunciou nesta segunda-feira a retirada da candidatura do Brasil para sediar a próxima edição do Mundial Feminino, agendada para 2023. Em nota oficial, a entidade explicou não ter recebido as garantias do governo federal, uma das exigências da Fifa.

"Análise da Fifa sobre a documentação da candidatura brasileira considerou que não foram apresentadas as garantias do Governo Federal e documentos de terceiras partes, públicas e privadas, envolvidas na realização do evento", afirma trecho de texto publicado pela CBF em seu site oficial.

"A CBF compreende a necessidade da Fifa de obter tais garantias e sabe que elas fazem parte do protocolo padrão da entidade internacional, sendo elemento fundamental para conferir a segurança necessária para efetiva realização de eventos deste porte", acrescenta. 

Além disso, a CBF afirma entender a cautela do governo federal e de outros parceiros, que evitaram formalizar compromissos de longo prazo em função dos graves efeitos econômicos da crise do coronavírus. 

"O Governo Federal, por sua vez, elaborou para a Fifa uma carta de apoio institucional na qual garantiu que o país está absolutamente apto a receber o evento do ponto de vista estrutural, como já o fez em situações anteriores. No entanto, ressaltou que, por conta do cenário de austeridade econômica e fiscal, fomentado pelos impactos da pandemia da covid-19, não seria recomendável, neste momento, a assinatura das garantias solicitadas pela Fifa", diz a CBF. 

"Diante do momento excepcional vivido pelo país e pelo mundo, a CBF compreende a posição de cautela do Governo brasileiro, e de outros parceiros públicos e privados, que os impediu de formalizar os compromissos no prazo ou na forma exigidos", continua. 

A CBF também lembra que o Brasil tem recebido vários eventos esportivos nos últimos anos, avaliando que isso diminuiria as suas chances de ser escolhido para sediar a próxima edição do Mundial Feminino. 

"Soma-se a isso a nossa percepção, construída durante o processo, de que o acúmulo de eventos esportivos de grande porte realizados em curto intervalo de tempo no Brasil - Copa das Confederações 2013, Copa do Mundo 2014, Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, Copa América 2019 e Copa do Mundo Sub-17 2019 - poderia não favorecer a candidatura na votação do próximo dia 25 de junho, apesar de serem provas incontestáveis de capacidade de entrega", diz. 

No seu comunicado, a CBF anunciou que passará a apoiar a candidatura da Colômbia. O vizinho sul-americano concorre com o Japão e a postulação conjunta de Austrália e Nova Zelândia. A definição se dará em 25 de junho. 

"A CBF decidiu retirar a candidatura brasileira e apoiar a Colômbia na disputa para a sede da Copa do Mundo Feminina 2023. Desta forma, a Conmebol se apresenta com uma candidatura única, aumentando as chances sul-americanas na votação, além de reforçar a unidade que marca a atual gestão da entidade", disse a entidade.

 

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