Sem jeito, Oswaldo mantém rodízio no gol

Oswaldinho de Oliveira está à frente de uma rede de proteção ao goleiro Henao. Não importam as várias falhas que o goleiro colombiano teve na derrota por 4 a 3 diante do Bolívar na estréia do Santos na Copa Libertadores da América - o resultado acabou com uma invencibilidade de 13 partidas do clube. Empurrando o seu carrinho com compras feitas no free shopping do aeroporto de Cumbica nesta quinta-feira à tarde, tratou de confirmar, para desgosto de Mauro, que Henao continuará titular na Libertadores, dia 3 de março, diante do time uruguaio Danubio, na Vila Belmiro. "O Henao teve uma grande atuação contra o Bolívar. Ele fez defesas importantes, excelentes saídas. Estou muito satisfeito com o futebol que mostrou. É experiente, vivido, lógico que continuará titular na Libertadores", disse Oswaldinho de Oliveira, sorrindo, tentando passar serenidade.Porém, o próprio Henao estava insatisfeito com sua atuação. "Há muito tempo que eu não sofria quatro gols. Não sou jogador de tomar tantos gols. Eu acreditava que a estréia do Santos seria melhor. Eu fiz o que eu pude. Na altitude a bola estava rápida demais e atrapalhou, não vou negar. Mas são coisas do futebol, existem jogos que as coisas não dão certo", afirmava o goleiro de 33 anos.Henao soube que Mauro será o titular na partida de domingo contra o Ituano. Assim como também teve a confirmação que enfrentará o Danubio. Estava evidente na sua fisionomia que ele é contra o rodízio que Oswaldinho inventou. "Não joguei em clubes que usava rodízio entre os goleiros. Estava sempre definido quem era o titular e o reserva. Mas eu respeito o treinador. Estou aqui para ajudar. Se eu concordo com esse método? Não cabe a mim falar se sim ou não", resumia, irritado.Altitude - Os jogadores foram os mais solidários possíveis a Henao. "A imprensa do Brasil está nos tratando como se tivéssemos sido goleados pelo Bolívar. Ninguém vai crucificar o Henao. Ele não é culpado de nada. Perdemos porque fomos prejudicados pela altitude. Os bolivianos estão acostumados. O Henao não deve ser sacrificado. Se eu já joguei em um clube que fazia rodízio de goleiros? Não, nunca", confirmava Léo. "O Henao fez o que pôde para nos ajudar. Em La Paz mal dava para respirar, quanto mais para jogar. Eu estou feliz demais por voltar ao Brasil e poder respirar", resumia Robinho. "Se sofremos quatro gols foi porque permitimos que a bola chegasse ao nosso gol. Criticar o Henao é covardia", defendia Fabinho.O planejamento para a partida em La Paz não deu certo. Houve um grupo que sentiu fortes dores de cabeça como Léo e Basílio e outro que não conseguia respirar, como Robinho. "O técnico não sentiu porque pôde tomar chá de coca", ironizava o derrotado Oswaldinho.

Agencia Estado,

17 de fevereiro de 2005 | 19h13

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