Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Sem jogos e sem comando, Maracanã convive agora com saques

Abandonado, o mais icônico estádio do País não tem condição de receber um jogo sequer; extintores foram roubados e gramado secou

Marcio Dolzan, Rio de Janeiro, Estadão Conteúdo

10 de janeiro de 2017 | 15h04

O mais icônico estádio do futebol brasileiro e cuja reforma para a Copa do Mundo de 2014 consumiu mais de R$ 1,2 bilhão em recursos públicos está sendo saqueado. Vivendo um jogo de empurra desde o final de 2015, o Maracanã está abandonado, sem comando definido e, no momento, sem condições de sediar qualquer partida, já que o gramado, que não vem sendo cuidado, secou.

Nesta terça-feira, a Federação de Futebol do Rio (Ferj) divulgou nota relatando os saques. Segundo a entidade, foram roubados mangueiras, extintores, bustos e televisores. Na semana passada, o jornal O Globo relatou também que o mobiliário dos camarotes está depositado em salas sem nenhum cuidado com a conservação e sofrendo com a ação do tempo. Sete mil cadeiras não foram recolocadas nas arquibancadas. Não bastasse isso, há contas de luz, água e gás em atraso.

A responsável pelo Maracanã é a Concessionária Maracanã S. A., cuja principal acionista é a Odebrecht. Mas, desde o fim de março do ano passado, a gestão foi repassada ao Comitê Rio-2016, que utilizou o estádio nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Em junho, o acervo histórico do Maracanã passou para a responsabilidade da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro.

A gestão do estádio deveria ter sido devolvida no final de outubro - mas a Maracanã S. A. se nega a recebê-la por considerar que a arena não foi entregue pelo Comitê Rio-2016 da mesma forma como havia sido recebida.

"O complexo deveria ter sido devolvido à concessionária em 30 de outubro de 2016, o que não ocorreu em função de dezenas de não conformidades já relatadas ao Rio 2016 e ao governo do estado. Entre elas estão a falta laudos que atestem a integridade da cobertura e do gramado, a mudança na numeração das cadeiras, a falta de assentos e de equipamentos de segurança como as catracas eletrônica, televisões e móveis, além de mais de uma centena de equipamentos como portas e corrimãos quebrados", informou, em nota, a concessionária.

O Estado não conseguiu contato com o Comitê Rio-2016 até o fechamento deste texto.

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