Divulgação/Coritiba
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Sem mágoa do Fla, Muralha dá a volta por cima no Coritiba e sonha com seleção

Em entrevista ao Estado, goleiro fala sobre o bom momento na Série B e esquece críticas de 2017: 'Passei por tantas tempestades que não tenho medo de chuva'

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2019 | 18h18

Após deixar o Flamengo sendo bastante criticado e ir atuar no Albirex Niigata, do Japão, Alex Muralha sabia que uma possível volta ao Brasil "seria muito mais difícil" por causa da temporada conturbada na equipe carioca em 2017. Um ano e meio depois, porém, o goleiro deu a volta por cima e é um dos destaques do Coritiba na Série B. Ele foi titular nos últimos oito jogos, com seis vitórias, dois empates e quatro gols sofridos. A equipe saltou para a segunda colocação na tabela e está a dois pontos do líder Bragantino, adversário desta quinta-feira.

Em entrevista ao Estado, Alex Muralha falou sobre o bom momento vivido e disse sonhar em voltar para a seleção brasileira. Também recordou sua saída conturbada do Flamengo e afirmou não ter mágoa do clube nem da torcida rubro-negra. Ele está emprestado pelo Flamengo ao Coritiba até o fim deste ano e tem vínculo com o clube carioca até o fim de 2020.

Teve receio de voltar para o Brasil?

A questão não é nem receio, sabia que minha volta ao Brasil seria mais difícil por tudo que aconteceu. Mas também sabia que ia ter oportunidade e iria dar minha vida para o clube que me abrisse as portas.

Não teve medo de lembrarem das críticas de 2017?

Não tive medo algum. Minha vida nunca foi fácil. É muito fácil saberem de mim já pronto no Flamengo, mas antes passei por muitas dificuldades. O Flamengo era mais um desafio, assim como foi agora no Coritiba. Encarei de forma tranquila. Vivo pela minha própria opinião, não pela opinião dos outros. Claro que críticas construtivas temos de aceitar, faz parte da nossa evolução. Mas opiniões que não acrescentam eu busco não ouvir.

Mas essas críticas te deixaram chateado?

Acaba que você fica bravo. Mas passei por tantas tempestades que não tenho medo de chuva. Sei do que sou capaz.

Carrega alguma mágoa da saída do Flamengo?

Jamais, só tenho a agradecer. Tive visibilidade, consegui realizar um sonho de criança que era ir para a seleção brasileira (em 2016). Não tenho mágoa alguma, estou torcendo para que no clube corra tudo bem. Na vida sempre vai ter altos e baixos, depende da maneira de como a pessoa vai reagir. O final no Flamengo não foi agradável, mas quando eu fui para o Japão era uma nova oportunidade. Voltei para o Coritiba, sabia que ia ser uma nova história na minha vida, me concentrei totalmente e foquei para voltar a jogar em alto nível.

O que acrescentou a passagem pelo Japão?

Foi uma experiência muito boa, já tinha morado no Japão em 2013, sabia que minha esposa iria gostar. Infelizmente, não conseguimos o acesso, mas aprendi uma nova cultura, acrescentou na minha vida pessoal e profissional. Às vezes as pessoas não conhecem o futebol japonês, mas é dinâmico e muito rápido. Me acrescentou muito nessa questão. Por ser goleiro, tive que aprender o básico do idiama, pegava livro e caderno e ficava estudando em casa. Em 2013, a primeira vez que eu fui, eu usava uma apostila que o cunhado do meu empresário me passou, porque ele tinha jogado lá. Quando eu retornei agora, tive que aprender tudo de novo.

E como analisa essa fase atual do Coritiba?

Está sendo um momento muito bom, estamos muito maduros, sabendo jogar os jogos. Estamos há oito jogos sem derrota, e isso faz com que dê mais confiança à equipe. 

O que mudou no time nesses últimos jogos?

Após a última derrota que tivemos para o criciúma, na nossa reapresentação nos reunímos e conversamos que tínhamos que mudar a atidude. Mudamos a nossa atitude, entendemos que a Série B é muito difícil. Acho que tem que manter esse padrão, saber que tem que se cuidar dentro e fora de campo. Todo mundo abraçou a causa.

Ainda sonha em voltar à seleção brasileira?

Potencial eu tenho, mas sei que a caminhada é complicada. É um sonho que já realizei e tenho vontade de jogar novamente pela seleção.

Substituir o Wilson, que é ídolo no Coritiba, tem uma pressão maior?

O Wilson é um ídolo do clube, sensacional como pessoa, é eferência, e por isso é uma responsabilidade muito grande, a pressão é maior. Estou trabalhando para ter essa oportunidade, sabia que por cartões ou lesões eu ia ter essa oportunidade. Quando eu cheguei, ele passou como funcionava o clube, me deixou bem tranquilo. Eu já joguei contra o Coritiba e sabia que estava vindo para um clube de expressão, de massa. (Nota da redação: Wilson já voltou de lesão, mas Muralha foi bancado pelo técnico).

O acesso à Série A é suficiente ou há a pressão pelo título?

Para o clube, o acesso é a prioridade, mas o título é uma coisa muito boa. Estamos focados em nos manter no G-4. Depois se conseguirmos, vamos brigar pelo título.

Como está a expectativa para o jogo contra o líder Bragantino, nesta quinta?

Muitos estão esperando por esse jogo, os dois times estão em uma evolução muito boa. O Bragantino tem muita qualidade, e vamos ter que ter maturidade. Vai ser mais uma final.

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