Rodrigo Corsi/Paulistão
Rodrigo Corsi/Paulistão

Sem marketing, Zé Rafael encontra refúgio no boxe e cresce no Palmeiras

Antigo ponta, volante evolui defensivamente e ganha destaque nos desarmes e finalizações

Ricardo Magatti / Enviado especial / Abu Dabi, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2022 | 17h00

Zé Rafael integra a lista dos atletas não tão valorizados pelos torcedores, mas fundamentais para a engrenagem de um time. No Palmeiras, não se discute a titularidade do paranaense de 28 anos e apelidado de “trem”, pela força física. Versátil, forte e efetivo ladrão de bolas, o atleta saiu da ponta para ganhar evidência como volante ao fazer com competência o trabalho “sujo” em campo. Ele encontrou no boxe um refúgio, uma maneira de aliviar a pressão, e não se importa se o que lhe falta é marketing.

“Todos os jogadores têm suas funções dentro de campo, e não me importo de fazer esse trabalho mais defensivo. Também tenho liberdade em alguns momentos do jogo, e o mais importante é o Palmeiras sair com as vitórias”, diz ao Estadão o volante. Ele ganhou dos palmeirenses o apelido de “trem”. A alcunha foi motivada por um lance com o corinthiano Fagner, na final do Paulistão de 2020. Naquele jogo, atropelou o lateral em uma dividida e passou a usar a hashtag #éotrem”. A torcida gostou e a locomotiva continuou passando por cima dos rivais.

Zé Rafael havia se acostumado a jogar mais perto do gol. Já foi meia armador e ponta pelos dois lados. Mas foi recuando até encontrar o seu lugar. É bem verdade que já jogava como volante sob o comando de Luxemburgo, mas foi Abel Ferreira que potencializou no jogador a capacidade de desarmar e ele hoje se sente à vontade na posição, perto de Danilo. O português nem sabia que o atleta havia sido ponta. E quando soube, nem pensou em voltá-lo ao ataque.

“Foi uma mudança muito drástica na minha carreira, mas consegui me adaptar aos poucos”, reconhece. “Hoje me sinto bem e feliz nessa posição, onde consigo ajudar bem a equipe. São responsabilidades diferentes, outra forma de jogar”.

Após a final da Libertadores, tornou-se viral entre palmeirenses um vídeo que dá destaque ao desempenho de Zé Rafael na decisão continental. O atleta compartilhou a publicação com seus lances contra o Flamengo e brincou ao dizer que deveria agir para melhorar o seu marketing, indicando que, assim, seria mais valorizado.

“Quis dizer que não costumo, nas minhas férias, ficar postando fotos e vídeos dos meus treinamentos. Por isso disse que precisava melhorar o marketing, mas em tom de brincadeira”, explica. Fato é que, brincadeira ou não, seu futebol cresceu atuando como um marcador voraz e incumbido de dar dinâmica à equipe, ao distribuir rápido a bola para a saída ao ataque.E boa parte dessa evolução ele deve ao trabalho de Abel Ferreira.

“É um técnico extremamente empenhado em evoluir, taticamente muito à frente e um grande estrategista”, exalta o meio-campista. “Espero que fique aqui no Palmeiras por muito tempo”. O outro culpado pelo seu crescimento em campo é o boxe. A nobre arte lhe ajudou fisica e mentalmente em um momento de pressão, em que precisava de uma hobby como terapia.

“Eu estava precisando de uma atividade fora de campo. O futebol não é só alegria, coisa boa. A gente vive muita coisa e às vezes a cabeça pesa. O boxe é uma atividade alternativa que tem me ajudado muito. Estou treinando bem e aprendendo a cada dia mais. Tem feito muito bem fisicamente e para a cabeça, justifica em conversa com o companheiro Gustavo Scarpa, que fez uma aula de boxe com o amigo e exibiu em seu canal no YouTube.

Zé passou a ter êxito também nos arremates de fora da área. Até gol de falta ele já marcou no ano passado. Nesta temporada, o primeiro gol do time no ano saiu de seus pés, em conclusão precisa de esquerda diante do Novorizontino, pelo Paulistão. Ele pretende participar mais ofensivamente. Para isso, tem de estar com o tornozelo bom.

“Sofri com meu tornozelo nas últimas temporadas, mas consegui fazer um trabalho de reabilitação e me sinto recuperado”, comenta a respeito das lesões no local que o atrapalharam no passado. 

No Mundial, um torneio curto, de dois jogos, ele considera o aspecto mental o mais importante para uma campanha melhor do que a do ano passado, quando o time, cansado física e mentalmente, decepcionou ao ficar em quarto. “O nosso mental tem que estar 100% forte, para nos adaptarmos a todas as situações que o torneio nos apresentar”, observa.

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