Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Sem Messi e Cristiano Ronaldo, Neymar tem caminho livre para ser 'o cara' da Copa

Atacante luta para ser decisivo no mata-mata do Mundial da Rússia

Almir Leite e Leandro Silveira, enviados especiais / Samara, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2018 | 05h00

Neymar tem caminho aberto para assumir o protagonismo que tanto anseia na Copa da Rússia e subir degraus na hierarquia do futebol mundial nesta fase de oitavas de final. Coadjuvante e sempre à sombra de Cristiano Ronaldo e Messi na festa da Fifa que os elegeu o melhor do planeta em 2015 e 2017, respectivamente – Neymar foi apontado como o terceiro colocado em ambas –, o atacante da seleção brasileira agora se vê distante dos seus principais concorrentes (Argentina e Portugal foram eliminados nas oitavas) na briga para ser o dono da Copa.

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A distância para os rivais não é técnica, mas espacial e momentânea. Afinal, enquanto o português e o argentino não conseguiram levar suas respectivas seleções além das oitavas, Neymar tem nesta segunda-feira a possibilidade de superar o desempenho deles, a partir das 11h (de Brasília), quando o Brasil enfrenta o México, na Arena Samara, naquela que pode ser vista como grande chance de ele mostrar uma nova fase.

Só passar das oitavas, evidentemente, não será suficiente para Neymar e a seleção. Mas é o primeiro passo após uma primeira fase de turbulências, polêmicas e evolução do jogador, que há um ano trocou o Barcelona pelo Paris Saint-Germain em uma transação milionária com a intenção de andar com as próprias pernas na Europa. Neymar colocou a Copa da Rússia em seu roteiro mais curto e marcante para se consagrar como o melhor jogador do planeta.

No entanto, ainda que com a despedida precoce de Cristiano Ronaldo e Messi, Neymar não está sozinho nesta corrida individual. Harry Kane vem liderando a Inglaterra – é o artilheiro do torneio com cinco gols. E Lukaku e Hazard têm se destacado na Bélgica – os três são bons concorrentes, embora estejam degraus abaixo da qualidade técnica do brasileiro. Além disso, o francês Mbappé e o uruguaio Cavani, colegas de Neymar no PSG, marcaram dois gols cada no sábado e conduziram suas seleções às quartas de final de forma brilhante.

GRANDE DIA

“Quando acabaram os dois jogos de sábado, fiquei com esse mesmo pensamento na cabeça. Que o nosso jogo será o do Neymar também. Os dois (Mbappé e Cavani) foram fundamentais nas vitórias das suas equipes”, disse Thiago Silva, com a experiência de quem joga ao lado de Neymar na seleção e no PSG. “A seleção está equilibrada. Tem o momento certo dos atacantes aparecerem. A gente espera que seja um grande dia e que o Neymar esteja inspirado como os outros”, acrescentou.

Se os principais rivais ficaram para trás, a caminhada de Neymar, que ainda precisa de quatro triunfos e muito protagonismo, vem sendo construída com alguns percalços – o principal deles foi a cirurgia no pé e os três meses de recuperação. Na Rússia, já teve alguns problemas, como contra a Suíça, quando abusou do individualismo e sofreu dez faltas. Diante da Costa Rica, se enfureceu com o pênalti marcado e anulado pelo VAR. Mas ganhou confiança com o primeiro gol. Chorou e atacou seus críticos nas redes sociais. Esse alto e baixo tem sido sua marca na Copa. Nas duas primeiras partidas, foi notado menos por seu futebol e mais pela irritação em campo. Contra os costa-riquenhos, afrontou tanto o juiz que recebeu amarelo após atirar a bola contra o gramado.

 

Está pendurado e terá de se precaver para não tomar um cartão amarelo e correr o risco de ficar fora em caso de o Brasil avançar às quartas. Os cartões amarelos só serão zerados na fase semifinal do torneio. Resumindo: Neymar é um craque que precisa de comando.

VIRADA

Contra a Sérvia, porém, Neymar parece ter empreendido uma virada. Ainda que sem marcar gol (e pendurado no amarelo), teve ótima atuação coletiva no triunfo por 2 a 0, perdendo poucas vezes a posse de bola e arriscando menos dribles espalhafatosos, além de ser solidário e não reclamar da arbitragem.

Nos últimos dias, ao lado do filho e dando autógrafos para algumas crianças, exibiu alegria e tranquilidade. “Nós sabemos o preço que ele pagou para chegar e retomar esse nível de competitividade”, disse Tite. “Agora, sim, ele atingiu o alto nível”, acredita o chefe. Neymar não deu nenhuma entrevista e os torcedores que gostariam de ouvi-lo ainda não sabem o que ele pensa.

A postura mais condizente com a de um craque de Copa teve a ver com os conselhos de seu pai, as conversas com Tite e as recomendações do capitão da seleção, Thiago Silva. E, claro, por se sentir 100% recuperado da lesão – confirmando a previsão de Tite de que ele só estaria plenamente em forma no terceiro jogo do Brasil na Rússia. O quarto será contra o México. A expectativa é que Neymar evolua e comece, de fato, a construir a sua Copa. “Essa evolução nos deixa feliz porque o trabalho realizado o fez crescer na competição. Espero que ele continue evoluindo cada vez mais”, disse o preparador físico do Brasil, Fábio Mahseredjian.

 

 

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