Sem muitas novidades, 'suvenires' para Copa não decolam na 25 de Março

Comerciantes já falam em guardar estoque para a Mundial de 2018

Luiz Fernando Toledo , O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2014 | 12h57

SÃO PAULO - Os lojistas estão apreensivos. A menos de 30 dias da Copa do Mundo, o mesmo estoque de bandeiras, vuvuzelas, camisetas, brinquedos e acessórios persiste nas vitrines da rua 25 de Março. O maior centro de comércio popular do País está otimista por um crescimento nos próximos dias, mas alguns já falam em guardar estoque para 2018.

Apesar dos comércios enfeitados com bandeiras, além de funcionários vestindo camisetas da seleção brasileira, alguns acreditam em prejuízo. Túlio Mikael, gerente da galeria de bijuterias GNG, lamenta a venda de menos de 10 peças de um estoque com 1.500. As perucas, pulseiras, brincos e colares aguardam enfileirados no fundo do estabelecimento. "Estamos vendendo há três semanas, mas temos esperança de vender um pouco mais até a data da abertura", diz Mikael.

Embora sem prejuízos, a Armarinhos Fernando esperava por mais. "O problema está na movimentação. Não temos visto muita gente aqui na 25", aponta Ondamar Ferreira, gerente da marca, que tem 16 unidades na capital e na Grande São Paulo. As vuvuzelas sul-africanas são a principal saída e neste ano encontradas em diversos formatos. "Esperamos um aumento entre 12% e 15% nas vendas em relação à 2010", argumenta Ferreira, sem citar valores. O estoque de março, com pelo menos 200 itens diferentes, não foi reposto nenhuma vez.

Ironicamente, um fator que tem impulsionado a comercialização de alguns produtos é o grito contra a Copa. Na loja de tecidos J. Cerqueira, os vendedores garantem que a bandeira do Brasil, que sai por R$ 7,90, é vendida a clientes que participam dos protestos contra a realização do Mundial. "Quando tem protesto, vendemos muito mais", conta a caixa Tânia Souza Lima.

OTIMISMO

Em dez lojas e barracas visitadas pelo Estado, apenas duas registraram sucesso dentro do esperado. Vitório S., gerente do Armarinho Ambar, diz que é a primeira vez que seu comércio entra no negócio. "Por ser a primeira vez, não sei dizer se as vendas vão bem, mas acredito que esteja dentro das expectativas", diz. A loja é especializada em linhas e fios, mas comercializa produtos diferentes em feriados, como o Natal. O gerente diz ter fechado um grande negócio no valor de R$ 40 mil com um shopping, além de comercializar diariamente um leque de 70 itens. "A pulseira 'bate e enrola' é a novidade, tem saído bastante", aponta, mostrando o acessório nas cores verde e amarelo, que custa R$ 4,20.

A Comercial Brasil é outra que comemora as vendas. Além dos produtos habituais, inovaram neste ano com uma mesa para festas infantis totalmente decorada com objetos da Copa. Nela, um baleiro, um piruliteiro e uma casa nas cores da bandeira do Brasil, além de outros objetos. Sai por R$ 220.

Dentre o público curioso pelas novidades, destacou-se um homem que arrematava grande quantidade de produtos. Elenilton Dutra viajou 990 quilômetros para adquirir balões, chuteiras, bandeiras e o que mais encontrasse para a festa de seu filho, que completará seis anos ainda neste mês. O empresário de 43 anos veio de Campo Grande (MS) e espera gastar aproximadamente R$ 4 mil. "Não há esse tipo de coisa por lá (em Campo Grande), além de que em São Paulo os preços são melhores", explica. Dutra lamenta os gastos com a Copa, que julga excessivos, mas acha importante que o brasileiro prestigie o evento. "Vamos receber os estrangeiros de braços abertos."

ECONOMIA COMPROMETIDA

A União dos Lojistas da 25 de Março (Univinco) confirma o pessimismo visto no comércio. "Na última Copa, em 2010, compramos os produtos seis meses antes. Para 2014, as mercadorias chegaram em dezembro e não há procura nenhuma", informou a assessora executiva Cláudia Hurias.

A perspectiva de crescimento é nula e a esperança agora é que ao menos não haja baixa. "Não chegaremos aos 8% de aumento previstos em relação a 2010. Esperamos ao menos que iguale, mas acho que nem isso", explicou Hurias. Para ela, a inadimplência e a inflação são os principais inimigos do comércio, que tem sido fraco para a 25 de Março desde o começo do ano. "As pessoas estão com medo de gastar. Acho que os protestos estão desanimando bastante o pessoal também."

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