Divulgação
Divulgação

Sem perder seu charme, Maracanã se moderniza

Estádio que receberá a decisão do Mundial no Brasil teve de se voltar para o futuro, mas não abriu mão de seu passado

Almir Leite e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2012 | 21h00

RIO - “Uma aula de engenharia e arquitetura.” O entusiasmo de Ícaro Moreno, presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), ao definir as obras do Maracanã tem bons motivos. A reforma do mais tradicional estádio do País, palco das decisões da Copa das Confederações, no próximo ano, e da Copa do Mundo de 2014, teve de se voltar para o futuro, mas não deixou de lado o passado. Manteve algumas características originais, ao mesmo tempo em que atende às exigências da Fifa. Assim, quando for entregue, em fevereiro de 2013, de acordo com a previsão, o brasileiro terá à disposição uma arena moderna, mas também encontrará vestígios daquele que um dia foi “maior estádio do mundo”.

O Maracanã da Copa de 2014 manteve em seu projeto, por exemplo, uma característica daquele inaugurado para o Mundial de 1950: apesar de as arquibancadas apresentarem uma inclinação maior, seguindo a tendência de verticalização das arenas atuais, não deixou de ser “baixinho, gordinho e largo”. “Hoje, os estádios são finos e altos. Mas a geometria da época da construção é de tirar o chapéu. Foi um desafio para nós, mas atingimos o objetivo de manter ao máximo as características originais”, diz Ícaro Moreno.

Claro que já não há mais aqueles espaços, chamados de geral, em que os torcedores ficavam em pé e boa parte deles só via as pernas dos jogadores. Mas as arquibancadas, agora, estão mais próximas ao campo (avançaram 14 metros) e todos os assentos têm visibilidade total.

Atualmente, o Maracanã está com 66% das obras de reforma concluídas. A fase pesada está terminando e a de acabamento já começa a ganhar corpo. O gramado, por meio do sistema de rolos, está sendo plantado e tratado em uma fazenda próxima do Rio e será colocado no estádio em dezembro, de acordo com a previsão.

A cobertura do Maracanã, totalmente nova, é um dos destaques do projeto - e um dos fatores de polêmica, pois houve resistência à demolição da antiga, por razões históricas e por aumentar o custo do estádio - está orçado em cerca de R$ 860 milhões.

“Tivemos de demolir por uma questão de segurança. A antiga estava corroída. A nova cobertura não tem tecnologia no Brasil. É alemã. Os cabos vieram da Espanha. É algo inédito no País”, conta Moreno.

O novo Maracanã também dedicou atenção à sustentabilidade, como exige a Fifa. “A certificação ambiental é uma área em que o Brasil não tem tradição. Mas nosso projeto levou tudo em conta. Temos sistema de reutilização de água, reciclagem de materiais, vamos ter energia solar e várias outras intervenções na área de sustentabilidade.”

O presidente da Emop também destaca o fato de terem sido aproveitados os pilares e as vigas da estrutura original do estádio, que define como um “case mundial” na área de engenharia. “Recuperamos tudo, de forma que terão uma vida útil de mais 50 anos ainda.”

Para ele, até mesmo os percalços, como a fiscalização do TCU (Tribunal de Contas da União) e TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio), e que resultou, segundo os órgãos, em uma redução de R$ 163 milhões no preço da obra - havia sobrepreço - foram considerados positivos. “Faz parte da democracia e nos ajuda no processo de transparência.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.