Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Sem poder viajar, Del Nero vai fazer defesa 'virtual' na Fifa

Cartola participa de audiência por videoconferência e entrega sua defesa a partir desta segunda-feira

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2018 | 20h42

O presidente afastado da CBF, Marco Polo Del Nero, vai se defender diante do Comitê de Ética da Fifa por meio de uma vídeo conferência. Sem poder viajar sob o risco de ser preso, o brasileiro terá advogados em Zurique e uma conexão direta com a Fifa para responder eventuais perguntas.

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A partir desta segunda-feira, a CBF entrega a defesa de Del Nero, alegando que os documentos usados para afastar o cartola da entidade não provam qualquer tipo de recebimento de propinas. Originalmente, a Fifa havia exigido uma posição da parte da defesa ainda no dia 4 de janeiro. Mas os advogados solicitaram uma extensão do prazo.

O dirigente foi indiciado nos EUA por corrupção e lavagem de dinheiro. Mas, ao permanecer no Brasil, conseguiu evitar ser preso e extraditado para Nova Iorque, onde seria julgado. Em dezembro, diante das evidências apresentadas por promotores americanos às cortes de Nova Iorque citando a suposta corrupção de Del Nero, a Fifa optou por o afastar por 90 dias, enquanto julgava seu caso.

Se condenado e banido, Del Nero terá de abandonar o futebol, abrindo espaço para eleições na CBF.

Mas a defesa do brasileiro insiste que existem duas brechas para desmontar as acusações. A primeira delas é de que, ao contrário do que ocorreu com José Maria Marin, não existiriam provas concretas do recebimento de propinas, que chegariam a US$ 6,5 milhões.

Outro argumento utilizado é de que, em dois anos, a Fifa jamais produziu um só documento de evidências contra Del Nero, baseando toda sua acusação em investigações realizadas por terceiros. No caso, a Justiça dos EUA.

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Uma vez entregue a defesa, Del Nero será ouvido pelo Comitê de Ética, que tem a incumbência de determinar sua pena. A data, porém, está sendo mantida em sigilo por parte da Fifa para manter a confidencialidade do processo. Em Zurique, o Estado apurou que a reunião virtual ocorrerá “nos próximos dias”.

A realização de videoconferências com suspeitos ou envolvidos em casos de ética não é exatamente uma novidade no mundo dos esportes. O Tribunal Arbitral dos Esportes, por exemplo, usa o sistema com frequência, inclusive para agilizar os trâmites de casos e não vê como um problema a ausência física da pessoa em questão.

Na Fifa, porém, fontes revelam ao Estado que uma saia-justa pode ser escancarada se algum dos membros do Comitê de Ética resolver fazer uma pergunta simples: por qual motivo o suspeito não pode comparecer à audiência para se defender?

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