Steffen Schmidt/EFE
Steffen Schmidt/EFE

Sem prazo, Fifa decide publicar relatório sobre corrupção na Copa

Documento elaborado pelo advogado Michael Garcia é contrário às realizações do Mundial na Rússia, em 2018, e Catar, em 2022

Estadão Conteúdo

19 de dezembro de 2014 | 12h44

Sem estipular um prazo, a Fifa anunciou nesta sexta-feira que vai publicar o relatório sobre os casos de corrupção na escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. O documento, elaborado pelo advogado norte-americano Michael Garcia, será divulgado por decisão do Comitê Executivo da entidade.

Sem dar detalhes ou prazos, o Comitê informou que o relatório de 350 páginas será publicado "em uma forma adequada" assim que "estiverem encerrados os procedimentos contra indivíduos" citados no documento, de acordo com comunicado divulgado pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter. Segundo o mandatário, ele mesmo pediu ao Comitê Executivo para solicitar a publicação ao Comitê de Ética independente da Fifa. "Fico feliz por eles terem concordado em divulgar (o relatório)", disse Blatter.

A decisão da Fifa acontece apenas dois dias depois que Michael Garcia deixou o cargo que ocupava na entidade há dois anos. Neste período, ele compilou 200 mil páginas de documentos sobre o escândalo de corrupção nos processos de escolha das sedes dos dois próximos Mundiais, na Rússia e no Catar.

A demissão de Garcia pegou Blatter de surpresa, mas já era esperada desde que o norte-americano demonstrou clara insatisfação com o resultado geral de suas investigações. Seu relatório foi analisado pelo juiz alemão Hans Joaquim Eckert, contratado pela Fifa para julgar o caso supostamente de forma independente.

Eckert elaborou relatório reduzido, que evitou apontar culpados por atos de corrupção. O juiz admitiu casos pontuais de irregularidades, incluindo o pagamento de propina, mas considerou que estes episódios não deveriam colocar em xeque os processos de escolha das duas Copas.

Garcia respondeu que o relatório produzido por Eckert era "incompleto e errôneo". Ele entrou com recurso contra a decisão do juiz, mas a Fifa negou o pedido. Insatisfeito, o advogado americano pediu demissão do cargo na quarta-feira, causando mal-estar na entidade e ampliando as suspeitas sobre as investigações promovidas pela Fifa. Como resposta, a entidade resolveu publicar o relatório completo. Porém, não informou quando fará a publicação e nem indicou quais seriam as possíveis mudanças que deixariam o documento "mais adequado", segundo citou o próprio Blatter em comunicado divulgado nesta sexta.

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