Sem recursos públicos, Atlético-MG terá arena de R$ 410 mi com venda de ativos

Sem recursos públicos, Atlético-MG terá arena de R$ 410 mi com venda de ativos

Obra será bancada com venda de ativos, comercialização de cadeiras cativas, camarotes e com naming rights

Circe Bonatelli, Estadão Conteúdo

19 de setembro de 2017 | 07h07

Os conselheiros do Atlético Mineiro aprovaram nesta segunda-feira a proposta da diretoria para a construção do estádio próprio do clube, que funcionará como uma arena multiuso para 41,8 mil pessoas, apta a receber partidas de futebol, shows e eventos corporativos. O empreendimento custará R$ 410 milhões e será viabilizado pela venda de ativos e parceria com a iniciativa privada, sem recursos públicos.

A obra será bancada por meio da venda de 50,1% do Shopping Diamond Mall para a Multiplan (R$ 250 milhões) e pela comercialização de cadeiras cativas e camarotes (R$ 100 milhões). O banco BMG dará uma garantia de compra de 60% das cadeiras.

O clube também já negociou com a MRV Engenharia os "naming rights", isto é, o direito de nomear a arena por 10 anos (R$ 60 milhões). Por fim, o terreno, com valor estimado em cerca de R$ 50 milhões, é uma doação do empresário atleticano Rubens Menin, fundador e presidente do conselho de administração da MRV.

Todas as parcerias já foram assinadas, segundo o diretor de planejamento do Atlético Mineiro, Pedro Tavares. Os próximos passos são a aprovação do projeto pela Câmara dos Vereadores, já que demanda alterações na lei de zoneamento local, e o licenciamento na Prefeitura de Belo Horizonte. "Queremos iniciar as obras em março de 2018 e inaugurar a arena para o Campeonato Brasileiro de 2020", afirmou Tavares.

O Atlético Mineiro estima faturar R$ 55 milhões por ano com a arena, considerando uma média de 38 partidas feitas pelo time em casa, além de receita com outros usos. "A estimativa é conservadora, mas tem potencial para mais. O Allianz Parque, do Palmeiras, gerou R$ 170 milhões em 2016", comparou Pedro Tavares. Ele ressalta que todo o dinheiro será do clube, que não terá financiamentos nem sócios privados.

APORTES

O contrato de venda de 50,1% do Shopping Diamond Mall por R$ 250 milhões já foi assinado com a Multiplan, embora tenha cláusulas condicionantes. A primeira era a aprovação do projeto do estádio por ao menos 260 dos 390 conselheiros do Atlético Mineiro.

A segunda cláusula para efetivação da venda é a validação do projeto pelo poder público, cuja tramitação se dará nos próximos seis meses. Não há previsão de multa por rescisão do contrato caso o projeto seja barrado. Após efetivado, o pagamento dos R$ 250 milhões ocorrerá em 28 meses, que é o prazo previsto da obra. As informações são do Atlético Mineiro. A Multiplan não quis comentar.

O Diamond Mall pertence ao clube. A Multiplan, especialista em shopping centers, foi a responsável pela construção e pela administração do projeto graças ao contrato de exploração com validade de 30 anos que expira em 2026. O acordo prevê o pagamento anual de 15% da receita bruta do centro de compras ao clube, o que gira em torno de R$ 10 milhões.

Outra fonte importante de recursos para o Atlético Mineiro virá da parceria com a MRV, maior operadora do Minha Casa Minha Vida. O terreno que sediará o estádio será uma doação. Atualmente, a área pertence ao empresário Rubens Menin e à MRV. Segundo Menin, a fatia da empresa será adquirida por ele antes da doação, de modo a não configurar uma doação de ativo que pertence ao rol de acionistas do grupo empresarial.

Além disso, a construtora vai desembolsar R$ 6 milhões anuais por 10 anos, contando a partir da inauguração, pelo direito de batizar o empreendimento de Arena MRV. A companhia já investe R$ 15 milhões por ano em patrocínios a times de futebol, vôlei e basquete. O aporte na arena será o segundo maior investimento anual da MRV em marketing esportivo. O primeiro é o patrocínio ao Flamengo (R$ 7 milhões) e o terceiro, ao São Paulo (R$ 2,5 milhões). "Esse dinheiro é um investimento importante em nossa marca. Em todas as cidades onde atuamos, a marca é conhecida", afirmou Rubens Menin, fundador e principal acionista da MRV.

A MRV trabalha apenas com empreendimentos residenciais e não construirá o estádio. Neste momento, o clube está negociando com duas construtoras especializadas em obras de grande porte e infraestrutura. "Nenhuma delas envolvida na Lava Jato", segundo o diretor Pedro Tavares.

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