Stefan Wermuth / Reuters
Stefan Wermuth / Reuters

Sem regras, 'elite do futebol' ameaça torneios europeus

Para Comissão Europeia,fato de apenas cinco ligas dominarem o esporte expõe centenas de clubes ao risco de crise

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2018 | 08h07

Quando Sevilla, Bayern de Munique, Juventus e Real Madrid entrarem em campo hoje para dar início às quartas de final da Liga dos Campeões, estarão ajudando a confirmar uma tendência que começa a preocupar as autoridades europeias: a concentração de poder do futebol do continente em apenas cinco países, deixando 49 outras ligas nacionais como meras espectadoras.

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Um informe oficial conduzido pela Comissão Europeia revela que o maior desafio da Uefa e das ligas nacionais nos próximos anos será o de manter a competitividade do futebol diante da disparidade cada vez maior entre os clubes.

Num mercado desregulamentado, sem mecanismos de transferência de renda aos clubes menores e com uma concentração cada vez maior de recursos para um punhado de times, a Europa descobre que existe uma fronteira clara entre a elite do futebol e uma enorme massa de 700 clubes coadjuvantes, que não têm chances reais de títulos.

Os dados colhidos pelo governo europeu não deixam dúvidas: hoje, Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Itália controlam o futebol europeu. Juntos, movimentam 67% do mercado do futebol, avaliado em 24,6 bilhões de euros (R$ 100,3 bi).

 

A disparidade aumentou nos últimos cinco anos. Exemplo disso é o mercado de jogadores. As cinco grandes ligas, batizadas como "Big 5", gastavam 2 bilhões de euros (R$ 8,16 bi) com a compra de atletas em 2012. Cinco anos depois, o volume atingiu 5,9 bilhões deeuros (R$ 24 bi). “O sistema de transferência é parte de um círculo vicioso, no qual os clubes mais ricos são capazes de gastar mais dinheiro com transferências, aumentar suas chances de conquistar troféus, o que acaba gerando mais renda para poder comprar os melhores jogadores do mundo”, destaca a Comissão Europeia.

Os 15 maiores clubes da Europa ampliaram seus contratos de marketing e patrocínio em 1,5 bilhão de euros (R$ 6,1 bi) em cinco anos. Já os demais 700 clubes conseguiram, somados, aumentar seus contratos somente em 435 milhões euros (R$ 1,774 bi).

Outro indicador é a participação de times entre os quatro semifinalistas da Liga dos Campeões. Entre 1985 e 1996, 22 clubes dos cinco campeonatos mais ricos chegaram às semifinais. Mas, nos últimos 11 anos, todos os 44 semifinalistas vieram dos "Big 5". "No longo prazo, a competitividade de outras ligas certamente foi encolhida”, disse a comissão. "A atual concentração de recursos não indica qualquer tipo de inversão dessa tendência", conclui o informe.

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