Sem torcida, Corinthians vence a 1ª na Libertadores

Depois de tropeçar na estreia, o Corinthians faturou a primeira vitória na Copa Libertadores sem contar com a presença de sua fanática torcida, na noite desta quarta-feira, no Estádio do Pacaembu. Punido pela Conmebol, o time brasileiro não pôde comemorar com seus torcedores os dois gols marcados na vitória sobre o Millonarios, da Colômbia. Pato e Guerrero foram os autores dos dois gols da partida.

FELIPE ROSA MENDES, Agência Estado

28 de fevereiro de 2013 | 00h08

Com o triunfo, o atual campeão da Libertadores chegou aos 4 pontos no Grupo 5. Ocupa a segunda posição, atrás apenas do Tijuana, com seis. O líder será justamente o próximo adversário do Corinthians, na próxima quarta-feira, no México. Se vencer, o time do técnico Tite assumirá a primeira posição da chave.

O Corinthians não contou com a empolgação nas arquibancadas do Pacaembu por causa da punição aplicada pela Conmebol em decorrência da morte do boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, na estreia do time, na quarta passada. O jovem torcedor foi atingido por um sinalizador que partiu da torcida corintiana durante a partida contra o San José, no Estádio Jesus Bermúdez, na cidade boliviana de Oruro.

Pela medida cautelar imposta pela entidade, o time brasileiro terá de jogar todas as suas partidas como mandante com os portões fechados. Nos jogos como visitantes, não poderá haver venda de ingressos para corintianos.

Sem poder entrar no estádio, cerca de 50 torcedores tentaram apoiar o Corinthians com gritos, batidas de percussão e faixas do lado de fora do Pacaembu. Somente quatro corintianos puderam assistir ao jogo das arquibancadas.

Eles obtiveram uma liminar, horas antes do jogo, para poder entrar no estádio. Ao todo, foram seis torcedores que acionaram a Justiça comum. Mas dois desistiram de última hora após conversarem com membros da diretoria corintiana. Os outros quatro resistiram ao pedido do clube, que pediu que não entrassem para evitar atritos com a Conmebol, e viram a partida das numeradas, cercados por policiais.

Da arquibancada, eles puderam ouvir com clareza os gritos dos jogadores uns com os outros e as orientações dos treinadores, ecoadas por todo o estádio. Não foi a única situação atípica gerada pela punição. Antes da partida, o telão exibiu a escalação de Corinthians e Millonarios, apesar da ausência de torcedores para conferir os jogadores dos seus times.

No decorrer do jogo, o sistema de som do estádio anunciava as substituições nas equipes. Até os atletas estranharam a situação. Ao comemorar seu gol, no segundo tempo, Pato correu em direção às arquibancadas sem saber para quem dedicar seu gol.

Em campo, jogadores dos dois times respeitaram um minuto de silêncio pela morte do jovem boliviano morto na semana passada. Sem se afetar pela ausência da torcida, Tite prometeu o mesmo empenho de jogos disputados em situações rotineiras. "Vamos fazer o nosso trabalho independente da torcida estar próxima", avisou o treinador, que viu seus comandados cumprirem a promessa.

O JOGO - Na sequência do empate morno na estreia, Tite resolveu fazer mudanças na equipe. Sacou Jorge Henrique e Emerson e colocou Renato Augusto e Pato em campo nesta noite. A alteração deu resultado e o time ganhou em fluidez no meio-campo e no ataque logo nos primeiros minutos da partida.

Mais ofensivo que o rival, o Corinthians levou perigo pela primeira vez aos 5. Boa trama na intermediária culminou em chute forte de Paulinho. O volante só não abriu o placar por causa da boa defesa de Delgado.

O goleiro, porém, pouco pôde fazer para evitar o gol de Guerrero. Aos 9, Renato Augusto cobrou escanteio na área, Paulinho furou, mas o peruano não. Ele encheu o pé e estufou as redes.

Outra novidade da equipe, Pato ameaçou o gol colombiano em três jogadas na etapa inicial. Na primeira, recebeu enfiada de Danilo, saiu cara a cara com o goleiro, mas, ao invés de tentar fazer o drible, bateu direto para fora, aos 16.

Aos 23, participou de jogada com Alessandro que terminou em boa finalização de Guerrero. A bola passou por cima do travessão. Dois minutos depois, Pato recebeu dentro da área e bateu de primeira. Delgado evitou o gol. Longe de acompanhar o ritmo do Corinthians, o Millonarios mal ameaçava o gol de Cássio.

O segundo tempo teve o mesmo domínio dos brasileiros. A vitória foi praticamente garantida logo aos 3. Ralf cruzou na área e Pato completou para as redes com facilidade. Dois minutos depois, o atacante quase ampliou ao driblar o goleiro e mandar para fora.

Com a boa vantagem no placar, o anfitrião não teve dificuldade para administrar o jogo. Mantinha a disputa no meio-campo e raramente era surpreendido por investidas do Millonarios.

A situação ficou ainda mais favorável para o Corinthians aos 31, quando Martínez levou o segundo cartão amarelo e foi expulso de campo. Mais tranquilo, Tite sacou o cansado Renato Augusto, além de Pato e Danilo, e deu nova chance a Emerson, Douglas e Romarinho. E, mesmo com as mudanças, o time brasileiro não teve problemas para confirmar o favoritismo.

Depois de jogar com as arquibancadas vazias nesta quarta, o Corinthians poderá contar novamente com o apoio dos torcedores no domingo, pelo Campeonato Paulista. O time de Tite fará o clássico com o Santos, no Morumbi. A partida tem mando de campo dos santistas, que não poderão atuar na Vila Belmiro devido à punição aplicada pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo.

FICHA TÉCNICA:

CORINTHIANS 2 x 0 MILLONARIOS

CORINTHIANS - Cássio; Alessandro, Gil, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo (Romarinho) e Renato Augusto (Douglas); Pato (Emerson) e Guerrero. Técnico: Tite.

MILLONARIOS - Luis Delgado; Ochoa, Pedro Franco, Ithurralde e Martínez; Robayo (Juan Ortiz), Blanco, Otálvaro e Candelo (Mosquera); Rentería e Fredy Montero (Perlaza). Técnico: Hernán Torres.

GOLS - Guerrero, aos 9 minutos do primeiro tempo. Pato, aos 3 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Renato Augusto, Pedro Franco e Emerson.

CARTÃO VERMELHO - Martínez.

ÁRBITRO - Néstor Pitana (ARG).

LOCAL - Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP).

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