Christian Hartmann/reuters
Christian Hartmann/reuters

Semifinal da Liga dos Campeões opõe Neymar a clube do seu patrocinador

Atacante do PSG tem o Red Bull como um de seus principais patrocinadores

Redação, Estadão Conteúdo

17 de agosto de 2020 | 09h14

Há um componente extra para o duelo entre Paris Saint-Germain e RB Leipzig, pelas semifinais da Liga dos Campeões. Quando entrar em campo na próxima terça-feira, Neymar, astro do time francês, vai enfrentar a equipe cujo dono também é um de seus maiores patrocinadores. A empresa de bebidas energéticas Red Bull é parceira comercial do craque brasileiro e está por trás da criação do time de Leipzig há pouco mais de uma década.

Neymar, que busca seu primeiro título da Liga dos Campeões pelo PSG, tem um relacionamento de longa data com a Red Bull e é frequentemente promovido pela empresa. Na semana passada, a marca austríaca o elogiou por levar a equipe francesa às semifinais do torneio europeu, após vitória de virada por 2 a 1 sobre o Atalanta.

"Que jogo!", escreveu a Red Bull em sua conta Instagram. "Muitos parabéns a Neymar e ao PSG que reservaram seu lugar na semifinal da Liga dos Campeões!", acrescentou na publicação.

No dia seguinte, a empresa austríaca também destacou o triunfo do RB Leipzig nas quartas de final sobre o Atlético de Madrid, que levou o time alemão ao caminho do PSG nas semifinais do torneio europeu.

Neymar é patrocinado pela Red Bull desde 2010, um ano após a fundação do clube de Leipzig na Alemanha. A carreira do jogador no futebol profissional é mais longa do que o tempo de vida do time alemão, visto que o brasileiro estreou no time principal do Santos em março de 2009, dois meses antes de nascer a equipe.

Há alguns anos, o instituto Neymar Jr e a Red Bull se uniram na criação do Neymar Jrs Five, um torneio de futebol de rua disputado anualmente na Praia Grande que tem o craque brasileiro como garoto-propaganda. A empresa investe mais de R$ 1 milhão por ano no projeto. A Nike está com o jogador desde os seus 13 anos e é seu outro grande parceiro comercial.

O evento financiado pela Red Bull já criou alguns problemas para Neymar no ano passado, quando ele faltou à apresentação do elenco no início da temporada para cumprir agenda no torneio. Na ocasião, o atacante disse que havia comunicado seus planos antecipadamente ao clube, que, por sua vez, afirmou que tomaria "as medidas apropriadas".

Foi também em uma entrevista institucional concedida à Red Bull que Neymar criou polêmica e foi criticado pelos torcedores do PSG depois de dizer que uma de suas memórias mais marcantes no futebol foi ajudar o Barcelona a derrotar o time francês por 6 a 1 em um jogo da Liga dos Campeões em março de 2017, meses antes de se transferir para o clube de Paris.

Neymar e o lateral inglês Trent Alexander-Arnold, do Liverpool, são os únicos jogadores que representam a Red Bull. A maior parte dos investimentos da empresa é direcionada a atletas de esportes radicais, como surfe, skate e mountain bike.

O RB Leipzig foi fundado em 2009 depois que o cofundador da Red Bull, Dietrich Mateschitz, comprou a licença para uma equipe local de quinta divisão, a SSV Markranstaedt. O bilionário austríaco mudou a marca do clube e financiou sua promoção constante nas ligas inferiores. O time alcançou a primeira divisão do futebol alemão em 2016 e anos depois garantiu vaga na Liga dos Campeões.

A parceria com a Red Bull tornou o clube impopular na Alemanha, gerando protestos de torcedores adversários nos jogos. O Leipzig não passou da fase de grupos em sua estreia na Liga dos Campeões, na temporada 2017/2018, em que chegou às quartas de final da Liga Europa. Neste ano, em sua segunda participação no maior torneio europeu de clubes, alcançou o mata-mata vindo de um grupo que incluía Benfica, Lyon e Zenit. Depois, eliminou o atual vice-campeão Tottenham nas oitavas e superou o Atlético de Madrid na fase seguinte.

O RB Leipzig tem sido a equipe da Red Bull mais bem-sucedida, mas não é a única adquirida pela empresa de bebidas energéticas. As outras são o Red Bull Salzburg, da Áustria, o New York Red Bulls, com sede nos Estados Unidos, e o brasileiro Red Bull Bragantino, último time comprado pelo grupo austríaco.

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