AP Photo/Matthias Schradel
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Semifinalista, seleção da Bélgica é uma mistura de nacionalidades

Dos 23 convocados do time que tirou o Brasil da Copa do Mundo, 11 têm origem imigrante

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2018 | 05h00

O artilheiro da seleção belga Lukaku, seu reserva, Batshuayi, e o zagueiro Kompany têm ascendência congolesa. O meia Adnam Januzaj é do Kosovo. Fellaini e Chadli são de origem marroquina. O pai de Dembélé é do Mali. O atacante Eden Hazard, capitão da equipe, nasceu no sul da Bélgica, mas parte de sua família paterna é marroquina. A Bélgica é uma mistura de nacionalidades, quase um time de imigrantes, que revive a imagem multicultural e multiétnica da França de 1998, exatamente seu rival na semifinal da Copa do Mundo, terça-feira, em São Petersburgo. Dos 23 convocados do time que tirou o Brasil da Copa, 11 têm origem imigrante. 

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As histórias de cada um toca, em algum momento, na discriminação e na superação. Em um depoimento que já se tornou emblemático, Lukaku repetia que era considerado belga apenas quando fazia gols. Quando os perdia, era de origem congolesa. Foi o ex-jogador Thierry Henry, hoje auxiliar técnico da equipe, que viveu situações parecidas, quem o ensinou a ignorar as críticas preconceituosas. Além disso, sempre conviveu com a desconfiança em relação à sua idade e à sua documentação nas categorias de base.

Michy Batshuayi, reserva de Lukaku, também é filho de pais congoleses. Recentemente, passou a conviver com uma referência incômoda: foi criado no bairro de imigrantes Molenbeek, em Bruxelas, o mesmo que ganhou fama internacional por ser a origem do grupo que orquestrou os ataques a Paris em 2015, causando 137 mortes.

O meia Adnan Januzaj nasceu na Bélgica, mas seus pais são do Kosovo, território que luta por ter sua independência da Sérvia reconhecida. Após marcar um gol contra a Inglaterra, ele preferiu não tocar em política. Xhaqa e Shaqiri, que defendem a Suíça, mas também têm raízes kosovares, lembram a disputa política na comemoração de seus gols (e foram multados por isso). 

 

Filho de pais marroquinos, o meia Nacer Chadli chegou a jogar pelo Marrocos. Em 2010, participou de uma partida contra a Irlanda do Norte. Mas como foi um jogo amistoso, não teve problemas para defender a Bélgica a partir de fevereiro de 2011. “Não queria me arrepender. Eu queria estar 100% certo de que queria jogar pela Bélgica. Ainda amo Marrocos, mas pensei melhor e decidi mudar”, disse ele, que atua no West Bronwich da Inglaterra. 

Independentemente da origem, os jogadores da Bélgica afirmam que a vitória sobre o Brasil representou uma injeção de confiança. “Se você consegue vencer o Brasil, não deve ter medo de ninguém. Respeitamos a todos, mas se nós jogarmos com medo, não seremos capazes de vencer a França”, disse Chadli em entrevista coletiva.

 

 

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