Darren Ornitz/Reuters
Darren Ornitz/Reuters

Sentença de Marin só será anunciada pela justiça americana em agosto

Ex-presidente da CBF já foi condenado nos Estados Unidos por corrupção, em dezembro do ano passado

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2018 | 18h49

A Corte do Brooklyn adiou o anúncio da sentença do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, para o dia 17 de agosto. Essa é a segunda vez que a data é modificada. Originalmente, o cartola conheceria seu destino no dia 4 de abril. Mas, a seu pedido, teve o processo adiado para o dia 30 de maio. 

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Em dezembro, ele havia sido condenado por seis crimes por uma corte de Nova York e, desde então, aguarda sua sentença em uma prisão americana. O Ministério Público americano o acusou de ter recebido US$ 6,5 milhões em propinas, em troca de contratos para eventos como Copa América, Libertadores e Copa do Brasil. 

No caso do ex-presidente da Conmebol, Juan Napout, a sentença ficou adiada para agosto. Até lá, ambos aguardam na prisão do Brooklyn. 

O objetivo da defesa do brasileiro é o de conseguir que o julgamento que o condenou por corrupção seja anulado. Mas a promotoria americana indicou os motivos pelos quais rejeita os argumentos dos advogados de Marin. 

O argumento do brasileiro era de que os promotores que apresentaram o caso não mostraram provas concretas de que Marin teria de fato recebido dinheiro em troca de oferecer contratos a empresas de televisão e marketing. Para os advogados de Marin, não existe prova de que um pagamento tenha sido retribuído com os contratos. Portanto, a relação criminosa não seria estabelecida. 

Ainda assim, para os promotores, o que o julgamento mostrou é que as provas contra o brasileiro são “devastadoras”. Isso inclui testemunhas, roteiro de pagamentos e dados sobre compras de mais de US$ 20 mil em lojas de luxo em Paris e US$ 50 mil em Las Vegas. 

Para completar, o Departamento de Justiça rejeita a tese de que o material e provas retiradas dos cofres de Kleber Leite no Rio de Janeiro não foram autenticados. Nos documentos encontrados no cofre estava uma anotação feita à mão indicando o pagamento de R$ 1 milhão para “MPM”. A sigla era usada para designar Marco Polo e Marin. 

O adiamento da sentença ainda dificulta o trabalho da Fifa, que aguardava uma posição da Corte para definir qual seria a punição ao presidente afastado da CBF, Marco Polo Del Nero. Suspenso, ele aguarda uma decisão por parte da Fifa até o final deste mês. 

Del Nero, durante o julgamento de Marin, foi amplamente citado em esquemas de recebimento de propina. Ele nega qualquer envolvimento e garante que é inocente. Mas aceitou passar o controle da CBF para Rogério Cabloco, em eleição nesta semana

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