Seqüestro é rotina na Colômbia

É difícil encontrar na Colômbia alguém das classes média ou alta que não tenha nenhum amigo ou parente que já foi seqüestrado. Além das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), promovem seqüestros também o Exército de Libertação Nacional (ELN) e os paramilitares, que combatem a guerrilha.Em entrevista à Agência Estado, em 1999, o comandante das Farc, Raúl Reyes, justificou o seqüestro como forma de "cobrar" o que eles chamam de "imposto para a paz", em oposição ao "imposto para a guerra" criado pelo ex-presidente César Gaviria (1990-1994).Inicialmente, os alvos dos seqüestros eram grandes empresários e fazendeiros que se recusavam a pagar as cotas mensais estipuladas pela guerrilha. Hoje em dia, quem quer que tenha algum dinheiro na Colômbia pode ser seqüestrado. Há dois anos, por exemplo, um guerrilheiro se infiltrou na distribuidora da Mercedez-Benz na Colômbia e roubou sua ficha cadastral, com os dados de todos os proprietários de carros dessa marca.As Farc anunciaram o feito e declararam todas essas pessoas alvos de seqüestros. Na Colômbia, carros da Mercedes são muito mais comuns que no Brasil e muitos profissionais liberais e pessoas de classe média os compram usados.Além dos seqüestros convencionais, outra fonte comum de financiamento das Farc é o que se chama de "pesca milagrosa". A guerrilha, dividida em 72 frentes espalhadas por todo o país, monta, por algumas horas, um bloqueio numa estrada qualquer e assalta todos os passageiros. Aqueles que exibam sinais de riqueza são seqüestrados.

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