Serginho: médico nega contradição

O caso Serginho pode ter uma reviravolta e o pivô disso não vê motivo para tanta repercussão em torno do assunto. O médico Edimar Alcides Bocchi, responsável pelos exames feitos no zagueiro em fevereiro, anda se contradizendo. Primeiro, afirmou em depoimento na 34ª Delegacia de Polícia que o jogador corria risco de morte e que precisaria de sorte para seguir na profissão. Em nota divulgada na terça, ele mudou o discurso e disse que a morte foi uma "fatalidade". A nota também foi assinada por Paulo Forte, médico do São Caetano indiciado (por homicídio doloso) no mesmo inquérito em que Bocchi foi ouvido.Apesar do discurso controverso, Bocchi nega estar se contradizendo. Diz que, em fevereiro, diagnosticou, sim, um problema no coração de Serginho. Mas afirma não ter sido essa a causa da morte do jogador. "Não tem contradição nenhuma!", disse o médico do Incor. "A necropsia mostrou que Serginho morreu em decorrência de uma hipertrofia miocárdica (estava com um coração três vezes maior que o normal) e os exames de fevereiro apontavam outra coisa (uma arritmia)".O médico cita um exemplo para comprovar sua afirmação. "É como se achassem em você uma úlcera e, meses depois, você morresse de câncer no estômago. As duas doenças são no mesmo local, mas uma não tem nada a ver com a outra, bem mais grave", explicou.Independentemente do problema de Serginho, o caso era grave, como o próprio Bocchi atestou no laudo feito após os exames de fevereiro. Mas o médico evitou falar sobre o assunto. "Não tenho nada a comentar, nada a acrescentar. O prontuário já está até na televisão, na ESPN Brasil", contou.Bocchi afirma não estar assustado com a repercussão criada em torno de suas aparentes contradições. Nesta quarta-feira, trabalhou normalmente no Instituto do Coração (Incor), onde é diretor da unidade clínica de insuficiência cardíaca. "Estou tranqüilo. Não tenho motivo para mudar minha rotina", garantiu o médico.Nenhum diretor do Incor quer falar sobre a nova versão de Bocchi porque o médico, na nota divulgada, não falava em nome do instituto. O Conselho Regional de Medicina, que abriu uma sindicância para apurar o caso, também decidiu não se pronunciar.

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