Serginho teria aumentado seguro de vida

O jogador Serginho teria optado por aumentar o valor da sua apólice de seguro de vida tão logo descobriu a gravidade do seu problema no coração. Fez isso em julho, já sabendo de todos os resultados dos exames feitos no Incor (Instituto do Coração). O seguro foi refeito no Banespa de São Caetano do Sul, no Paço municipal. A beneficiária é Helaine Castro, a viúva do jogador.Esta denúncia foi passada na segunda-feira ao promotor público Rogério Leão Zagallo, do 5.º Tribunal do Júri, que cuida do caso na esfera criminal. Um dia depois, ele solicitou aos executivos do banco a confirmação da informação. E agora espera por uma resposta. O promotor trabalha com a possibilidade de o Banespa se recusar a divulgar o documento sob o argumento de revelar comunicação sigilosa de um de seus clientes. Se assim for, Zagallo solicitará a interferência de um desembargador. O banco seria então obrigado a revelar se houve ou não mudança na apólice. "O aumento da apólice do seguro de vida em meio a um período em que o atleta passou por uma série de exames do coração indica que ele sabia do problema e de seus riscos, como a morte em campo", disse uma pessoa envolvida com o processo, que não quis revelar o nome.Caso a denúncia se confirme, o promotor irá anexar a informação ao inquérito. Quer ter mais uma indicação de que o presidente do São Caetano, Nairo Ferreira de Souza, e o médico do clube, Paulo Forte, sabiam da anomalia de Serginho. Eles teriam avisado o jogador, portanto, sabiam do problema. O inquérito apurou, no entanto, que Nairo e Forte nada fizeram para impedir que o atleta continuasse praticando futebol, mesmo sob recomendação médica. Ambos foram indiciados pelo delegado Guaracy Moreira Filho, do 34.º DP, por homicídio doloso, com penas que podem chegar a 20 anos de prisão.Sobre o procedimento de Serginho no banco, o Banespa pode se sentir prejudicado por não ter tido acesso às informações de saúde do jogador do São Caetano. Mas isso em nada alteraria a ação pública.Zagallo acena com a intenção de manter a denúncia de homicídio doloso ao juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, que a aceitará ou não, podendo, até, desqualificá-la para homicídio culposo, com penas de até três anos. Há magistrados que defendem esta desqualificação.

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