Sérgio conta: 'O Palmeiras se organizou para fazer a revanche contra o Viola'

Goleiro do time de 1993 relembra a concentração especial para a final com o Corinthians

Ciro Campos e Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2013 | 07h20

SÃO PAULO - Dono da meta palmeirense na final do Campeonato Paulista de 1993 contra o Corinthians, o goleiro Sérgio, então com 20 anos, estava mordido. Após a derrota por 1 a 0 no primeiro jogo e a provocação de Viola, o camisa 1 não queria de jeito nenhum ver a cena se repetir. Além de conseguir cumprir essa missão, de quebra viu o time brilhar ofensivamente e fazer o placar de 4 a 0. No fim da partida, teve a emoção de comemorar o título e aparecer nas históricas fotos que marcaram a conquista.

"Logo depois do primeiro jogo da final tivemos uma semana de concentração em Atibaia. Já na segunda-feira foi um dia de bastante cobrança, principalmente para o pessoal da defesa. Os dias seguintes foram de várias reuniões e todos os jogadores estavam focados e empenhados em buscar o título. O técnico Vanderlei Luxemburgo e o José Carlos Brunoro (Diretor de Esportes da Parmalat) foram muito participativos e importantes naquele período. Tinha muita coisa junta: cobrança por um título que não vinha faz tempo, corresponder ao investimento feito na gente e a revanche contra o Viola também. Ele provocou muito nossa equipe no primeiro jogo ao fazer o gol da vitória e imitar um porco.

Nosso elenco estava muito concentrado. No caminho para o Morumbi no dia do jogo a gente só pensava em ir lá e ganhar do Corinthians. Todos nós tivemos uma preparação especial para conter o Viola e para isso entramos em campo a mil por hora. O time estava centrado e forte. Se não tivesse acontecido aquela provocação, as coisas certamente teriam tomando outro rumo.

No jogo nós fomos muito bem e a vitória foi construída com segurança. Na prorrogação teve o pênalti para o Evair cobrar e certamente a bola caiu no pé do cara certo. Nos treinos durante a semana ele tinha cobrado dez pênaltis em mim e tinha feito todos. Eu mal acertava o canto. Por isso todo mundo confiava que ele ia converter e nos fazer campeões. E foi isso que aconteceu.

Guardo até hoje a camisa que usei naquela final, mas quando o jogo acabou a minha ficha não tinha caído. Saímos do Morumbi e ainda fomos para uma festa com os familiares dos jogadores. Aquele time era sensacional e não por acaso tinha jogadores que foram para a seleção brasileira. Dias depois fui visitar minha família. Como ainda não tinha carro, fui viajar de ônibus para a minha cidade natal, Kaloré, no Paraná. Na chegada lá, ainda cedinho, senti realmente a grandeza do título. Eu parei a rodoviária e muita gente veio me cumprimentar." 

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