Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

'Seria um privilégio continuar no Palmeiras em 2014', diz Gilson Kleina

Técnico completa um ano no cargo e projeta continuar no ano do centenário

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2013 | 07h40

SÃO PAULO - Gilson Kleina completou um ano no comando do Palmeiras. Neste período, foram 67 jogos, 33 vitórias, 15 empates e 19 derrotas, ou seja, um aproveitamento de 56,71%. Os números não parecem agradar a todos palmeirenses e hoje a dúvida é se ele fica para o centenário ou não. Em entrevista ao Estado, o treinador explica por que merece ficar em 2014 e diz que no ano que vem o trabalho será mais fácil.

O que significa completar um ano no comando do Palmeiras?

KLEINA: Aprendi e amadureci muito. Vivi experiências que nunca tinha vivido em clube algum e fico feliz em saber que estamos montando um alicerce forte e fazendo o torcedor voltar a sentir orgulho e segurança no time. Eu tive minha parcela de culpa pela queda, mas começamos um trabalho árduo logo depois disso, tivemos que remontar uma equipe no meio do campeonato e isso obrigou uma superação de todos nós. Felizmente montamos um grupo que nunca se entregou.

Em que momento temeu a demissão: queda para a Série B, derrota para o Mirassol ou eliminação na Copa do Brasil?

KLEINA: O rebaixamento foi o mais doloroso, porque sentia o sofrimento do torcedor. Contra o Mirassol, tínhamos de mudar a equipe e naquele dia ainda piorou porque o Maurício Ramos, um minuto antes de começar o jogo, passou mal e tivemos que colocar o Marcos Vinícius, que nunca havia treinado no time titular. E contra o Atlético-PR perdemos jogadores de velocidade que poderiam fazer diferença, como Vinícius, Ananias e Leandro.

Está preparado para a pressão de comandar o Palmeiras no ano do centenário?

KLEINA: Sem sombra de dúvida. Estou preparado para lidar com os resultados bons e ruins de um clube grande. O Palmeiras me mostrou que você tem de estar preparado para tudo.

Sente confiança que vai ficar?

KLEINA: De coração... eu não penso em 2014. Quero canalizar forças para no dia 31 de dezembro falar com orgulho que conseguimos resgatar o Palmeiras para a elite. O que posso dizer é que quem dirigir o Palmeiras no ano que vem terá mais facilidade do que tive, pois pegará um time pronto e será necessário fazer apenas alguns ajustes.

Mas seria frustrante, depois de tanto roer o osso na Série B, não saborear o filé da Série A?

KLEINA: Não digo que seria frustrante, mas hoje quem pegar o Palmeiras terá um atrativo maior e um time montado. Seria um privilégio continuar o trabalho e talvez fosse até mais fácil. Conheço o elenco, a estrutura, a diretoria e o espírito do torcedor. Mas vamos deixar as coisas acontecerem.

Pela sua justificativa, o melhor treinador para o Palmeiras em 2014 é Gilson Kleina. É isso?

KLEINA: Olha, têm vários fatores que me dão essa condição, mas para ter continuidade, eu preciso consolidar esse trabalho. Depois disso, posso sentar com a diretoria e discutir o planejamento. Entendo que grandes treinadores passaram por aqui e já marcaram sua história, mas estou chegando agora e meu currículo começa a se enriquecer. Quem sabe não está reservada uma grande conquista aqui dentro? Acredito que coisas boas estão por vir.

Ganhar a Série B coroa esse projeto?

KLEINA: Sem dúvida. Este é o nosso grande objetivo, mas não podemos entrar na zona de conforto, por isso todo jogo eu passo para os atletas que é o jogo de nossas vidas.

O que fez de melhor e pior neste um ano de clube?

KLEINA: Acho que em alguns momentos faltou controlar a ansiedade do time, como na Libertadores. Tínhamos que nos preparar para fazer dois gols, pois a vantagem do primeiro jogo (com o Tijuana) era pequena (0 a 0). Engraçado que os outros clubes brasileiros que investiram muito mais do que nós caíram na mesma rodada, exceto o Atlético-MG, mas ficaram falando mais de nós.

E de melhor?

KLEINA: Resgatamos o orgulho do torcedor. No começo do ano diziam que não teríamos visibilidade porque estaríamos na Série B. Hoje temos Leandro e Henrique sendo convocados para seleção brasileira principal; Vinícius para a olímpica; Eguren no Uruguai;Valdivia voltando e comandando a seleção chilena, Mendieta em vias de ser chamado no Paraguai. E temos uma maior integração com a base. Tanto que temos Luis Felipe e Vinícius no time.

Quantas vezes já ouviu “Kleina, tira o Márcio Araújo”? Já pensou na possibilidade de ouvir o pedido?

KLEINA: (Risos) Eu me pergunto por que tanta rejeição. Os números mostram o quanto ele é importante. Ele rouba a bola, entrega para iniciar um contra-ataque e corre atrás do melhor do time adversário. Ele não é altamente técnico, mas joga de corpo e alma para o time. Seria bom o torcedor ver isso.

Recado para o torcedor que não gosta do seu trabalho?

KLEINA: O tempo vai mostrar minha capacidade. Sou um treinador que quer marcar história no Palmeiras e trabalho pensando no torcedor e em retribuir o carinho do torcedor com títulos. A Série B pode ser o primeiro deles.

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