Andrés Cristaldo / EFE
Andrés Cristaldo / EFE

Serviços de pay-per-view de futebol podem custar até R$ 2,5 mil por ano ao torcedor

Mercado de transmissões esportivas mudou substancialmente em meio à pandemia e ficou mais caro assistir aos jogos pela TV e online

Ricardo Magatti, especial para o Estado

24 de setembro de 2020 | 09h18

A publicação da Medida Provisória 984 pelo presidente Jair Bolsonaro em junho, o rompimento por parte da Rede Globo de alguns contratos e a entrada de novos players no mercado de transmissões esportivas alteraram substancialmente a maneira como se consome futebol no Brasil. Hoje, há várias opções para assistir às partidas em casa, uma vez que ainda não há torcedores nos estádios. No entanto, está cada vez mais caro para o torcedor acompanhar seu time, seja em que plataforma for. O fã de futebol tem de desembolsar até R$ 2,5 mil por ano para acompanhar a todos os serviços de pay-per-view. Ou fazer escolhas dentro do seu orçamento.  

O maior exemplo dessa mudança é a criação da Conmebol TV, pay-per-view da Libertadores colocado no ar pela entidade sul-americana em parceria com o BandSports. Ele exibe as partidas na TV paga. O PPV custa R$ 39,90 por mês e está disponível na Claro/Net e Sky. É mais um custo para o bolso do fã de futebol, já que, antes, esses duelos do torneio sul-americano eram transmitidos no SporTV, canal presente na maioria dos pacotes de TV por assinatura.

A parceria com o Grupo Band para produzir e distribuir o conteúdo e o patrocínio da Claro e Sky foram as alternativas que a Conmebol encontrou para amenizar o prejuízo com a saída do Grupo Globo, que rompeu o contrato de transmissão da Libertadores depois que não conseguiu renegociar os valores com a entidade. O SBT adquiriu os direitos que eram da emissora do Rio para transmitir os jogos na TV aberta.

"Este cenário realmente não é o mais agradável ao bolso do torcedor. A fuga do futebol da televisão faz com que, nesse primeiro momento, a conta dos direitos de transmissão seja repassada diretamente ao público e não mais aos anunciantes", ressalta Marco Sirangelo, consultor de conteúdo e educação na OutField Consulting, consultoria especializada em negócios do esporte e do entretenimento. "Por outro lado, estivemos relativamente mal acostumados a termos fácil acesso a esporte na televisão aberta. Em outros países, é muito raro encontrarmos eventos como a primeira divisão nacional, campeonatos estrangeiros de topo e Fórmula 1 sem que nenhum adicional fosse cobrado ao consumidor", pontua.

"Por mais apaixonado que seja por um time, o torcedor gosta de ver futebol de uma maneira mais ampla e ele acaba assistindo a outros jogos além dos jogos do seu time. A questão é que havia um modelo em curso já há muitos anos, que sustentava e ainda sustenta o futebol brasileiro em muitos termos, e foi colocado para baixo sem nenhuma previsão sistêmica de como funcionaria o ambiente competitivo", avalia Bruno Maia, executivo de marketing e sócio da 14, agência de conteúdo estratégico.

"O que está acontecendo aqui já aconteceu na Itália e na Alemanha, por exemplo. O Brasil tinha uma oportunidade de avaliar alguns erros dessas experiências para sair na frente, mas estamos jogando fora essa oportunidade pela falta de informação, profissionalismo e seriedade nessa discussão. E também por conta da politização, que nos trouxe a esse cenário", acrescenta Maia, em referência à maneira como a MP 984 foi editada.

O Estadão fez a conta e, com os jogos espalhados em plataformas diferentes, e não mais concentrados em poucos lugares, o torcedor que for assinar todos os serviços de pay-per-view de futebol disponíveis atualmente - Premiere, Conmebol TV, UOL Esporte Clube, EI Plus e DAZN - terá de desembolsar cerca de R$ 2,5 mil por ano. Isso sem considerar serviços pagos de lutas e basquete, por exemplo, e a assinatura de canais esportivos nas TVs, que têm diferentes planos. Veja a lista a seguir:

OPÇÕES PARA ASSISTIR FUTEBOL

Premiere - O Premiere é um dos serviços de pay-per-view mais antigos. Nele, estão disponíveis todas as partidas do Campeonato Brasileiro - exceto as que envolvem o Athletico-PR, único a não ter um acordo com a plataforma do Grupo Globo - além dos duelos da Copa do Brasil e dos campeonatos estaduais. Também é possível assistir via Premiere Play, que pode ser acessado pelo site ou aplicativo. Custa R$ 79,90 por mês. Por ano, o assinante gasta R$ 958,80. Com a expressiva perda de assinantes em razão da crise financeira imposta pela pandemia, o serviço oferece um desconto de 25% no pacote anual: sai por R$ 718,80.

Conmebol TV - A Conmebol TV é o pay-per-view da Libertadores. Com a parceria com o Grupo Band, que cede as equipes de transmissão. Na primeira semana, os duelos foram exibidos de graça. No entanto, a partir desta semana, quem quiser assistir ao seu time na principal competição da América do Sul tem que desembolsar R$ 39,90 por mês, ou R$ 478,80 por ano, valores muito contestados pelos torcedores. O pacote só está disponível na Claro ou Sky.

Não existe um aplicativo ou site que permita a compra à parte. Portanto, para ver online, é necessário ser cliente da Claro ou da Sky e recorrer ao Now e Sky Play, serviços de streaming das duas operadoras, respectivamente. Além dos 27 jogos da fase de grupos da Libertadores que eram do SporTV, a Conmebol TV também vai mostrar todos os confrontos da Copa Sul-Americana e da Recopa Sul-Americana no ano que vem.

DAZN - O DAZN custa R$ 19,90 por mês, o que dá R$ 238,80 anualmente. No entanto, a plataforma perdeu atratividade ao abrir mão de direitos de transmissão de competições como o Italiano, Francês e a Sul-Americana. O Campeonato Inglês - um jogo por rodada - e a Copa Inglaterra são os principais torneios exibidos. O streaming também mostra partidas da Série C do Campeonato Brasileiro. É possível assistir pelo aplicativo ou na internet. O primeiro mês é gratuito.

UOL Esporte Clube - O UOL Esporte Clube é um agregador de streaming. A plataforma oferece acesso a conteúdos da ESPN e Fox Sports, ambos pertencente à Disney, e também ao EI Plus, da Turner. Dessa maneira, o assinante pode assistir a duelos da Liga dos Campeões, Libertadores, Campeonato Inglês, Brasileirão e outros eventos de futebol. O pacote mais caro sai por R$ 49,90 mensalmente - R$ 598,80 nos 12 meses.  

EI Plus - O EI Plus é o streaming do extinto canal Esporte Interativo, que pertence à programadora americana Turner. É o serviço mais barato entre todos os citados. Se o torcedor escolher o plano anual, ele paga 12 parcelas de R$ 13,90 ao mês, e R$ 166,80 no total. Se optar pelo plano mensal, o valor sobe para R$ 19,90. Com ele, é possível assistir a partidas do Campeonato Brasileiro, Liga dos Campeões, Eliminatórias Europeias e a Liga das Nações. Esses campeonatos são exibidos na TNT e Space, canais da TV paga da Turner.

TV POR ASSINATURA

O Estadão consultou os valores dos pacotes oferecidos pelas quatro principais operadoras de TV por assinatura do País: Claro, Sky, Vivo e Oi. Considerando os planos com o maior número de canais esportivos, todos são vendidos por mais de R$ 100. O mais barato é o da Oi, que cobra R$ 106,90.

Se optar pela Sky, o assinante pagará R$ 120,90 por mês. Na Claro, que abandonou a marca Net desde o ano passado e concentrou os serviços do grupo sob a marca da operadora de telefonia, o plano com a maior oferta de canais de esportes é negociado por R$ 139,90. Por fim, a Vivo dispõe do pacote por R$ 147,89 ao mês.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.