Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Sete lições que Tite terá de aprender no ciclo da Copa do Catar

Queda prematura na Copa manchou o bom desempenho do trabalho do treinador

Ciro Campos, Marcio Dolzan, enviados especiais / São Petersburgo, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2018 | 05h00

Tite completou dois anos à frente da seleção durante a Copa da Rússia. Nesse tempo, comandou a seleção em 26 jogos, perdendo apenas duas vezes. A campanha quase irrepreensível fez o técnico cair nas graças da torcida. O problema é que a última derrota, diante da Bélgica, custou a eliminação do Brasil nas quartas de final da competição, e manchou o bom desempenho do trabalho do treinador.

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A eliminação precoce trouxe ensinamentos para Tite, que, tudo indica, deverá permanecer à frente da seleção para o ciclo visando ao Mundial do Catar, em 2022. A seguir, o Estado aponta sete erros do técnico na Copa que precisarão ser revistos se ele renovar seu vínculo.

RESERVA PARA CASEMIRO

Tite sempre elogiou o futebol de Fernandinho. Durante as Eliminatórias, chegou a dizer que o futebol dele era um espelho ao de Casemiro. O volante do Manchester City é bom jogador, mas mostrou que não pode ser primeiro volante na seleção brasileira, sobretudo para desempenhar a mesma função do titular. Fernandinho é menos marcador do que Casemiro e tem menos imposição física do que o jogador do Real Madrid. Com Fernandinho contra a Bélgica, o Brasil mudou muito sua engrenagem de defesa.

 

TEIMOSIA 

Paulinho e Gabriel Jesus foram fundamentais durante as Eliminatórias. Renato Augusto, também. Mas enquanto Tite reconheceu que o meia do Beijing Guoan vinha atuando abaixo de seu melhor potencial e decidiu deixá-lo na reserva, não teve coragem de fazer o mesmo com Paulinho e com o atacante do Manchester City. Paulinho chegou à seleção com problemas físicos e precisou ser substituído em todas as partidas. Gabriel Jesus sentiu a pressão de um Mundial e perdeu chances de gol em todos os jogos. Tite morreu abraçado com eles.

 

SUPERPROTEÇÃO À NEYMAR

Neymar é o principal jogador da seleção. Tem muita habilidade e é um dos melhores do mundo. Preservar o jogador até que faz sentido, desde que não seja demais. O problema é que o atacante há muito tem se destacado mais pelas polêmicas do que pelo futebol. Tite, e toda a comissão técnica do Brasil, passaram a Copa blindando Neymar e impedindo qualquer tipo de questionamento sobre sua conduta na Rússia, mesmo quando ela era flagrantemente equivocada. Tite passou a mão na cabeça de Neymar. Chegou a impedir que ele respondesse a uma pergunta na única entrevista em que o jogador participou no Mundial. Em vez de ajudar o atleta, conseguiu que virasse alvo maior de questionamentos.

 

DOSAGEM DOS TREINOS

Alguns técnicos são criticados com razão pela pouca quantidade de treinos. Outros, pelo excesso. Tite e sua comissão podem ter sido criteriosos no número de atividades – em geral, uma por dia –, mas exageraram na intensidade. Prova disso foi o número elevado de lesões desde que a seleção se apresentou. Fred, Renato Augusto e Douglas Costa são três exemplos. Marcelo teve um espasmo muscular cuja culpa foi creditada a um colchão. Mas o caso mais curioso foi o do lateral-direito Danilo, que sofreu duas lesões mais graves em dois treinos de véspera de partida.

POUCA VARIAÇÃO TÁTICA

Durante o período pré-Copa, Tite tinha um lamento frequente: o de não conseguir realizar treinos com o grupo de convocados. De fato, em geral, apenas três deles contaram com elenco completo durante os dez dias em que a seleção se reunia para as datas Fifa. Mas a preparação para a Copa do Mundo durou quase um mês – sem contar o período depois que o Mundial iniciou – e, mesmo assim, o time apresentou apenas duas formas de jogar. A preferida foi o 4-1-4-1, enquanto a alternativa era o tradicionalíssimo 4-4-2. Nada além disso foi visto.

 

O CAPITÃO 

Até se entende o argumento de Tite sobre o rodízio de capitães, uma forma de dividir as responsabilidades e mostrar que não há uma hierarquia. Só que isso trouxe um efeito: não houve um líder a quem recorrer quando a coisa apertou, tampouco alguém que chamasse a responsabilidade. A seleção sempre teve capitães respeitados nas cinco conquistas mundiais. Se até em 1970, em uma seleção recheada de craques, a braçadeira ficou apenas com Carlos Alberto Torres, por que agora seria diferente?

DEMORA NOS AJUSTES 

A seleção estudara bem a Bélgica. Mesmo assim, Tite não foi capaz de ajustar a equipe antes do intervalo. No primeiro tempo, que terminou em 2 a 0 para os belgas, Hazard fez o que quis pelo lado esquerdo de ataque, Lukaku ganhou quase todas como pivô e De Bruyne, que jogou mais solto, teve ampla liberdade de atuação.

COLABORARAM ALMIR LEITE e LEANDRO SILVEIRA

 

 

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