Sílvia: críticas de Tite foram infundadas

A árbitra Sílvia Regina de Oliveira não se mostrou nem um pouco preocupada com as críticas que recebeu por sua atuação no clássico entre São Paulo e Corinthians, domingo, no Morumbi. Ironizou a reclamação dos jogadores e nem deu bola para a declaração polêmica do ex-técnico do Corinthians Tite, que questionou a condição física da árbitra em acompanhar o jogo. "Acho que foram críticas infundadas. Ele reclamou da arbitragem por não ter outra coisa para reclamar. Se você assistir os melhores momentos, eu apareço em 99% das imagens da televisão. Só não estava perto no lance do pênalti porque aconteceu em um lance de contra-ataque", reconheceu Sílvia Regina, justificando a "falha" logo em seguida. "Eu estava uns 70 metros longe. Para eu chegar na área seriam necessários, no mínimo, sete segundos. Teria de ser uma recordista de velocidade. Era humanamente impossível.? Mas e as reclamações dos jogadores? Sílvia quis saber quem tinha questionado sua atuação. Os repórteres citaram o meia Danilo e os goleiros Rogério Ceni e Fábio Costa, como exemplos. A árbitra ironizou: "O Danilo é aquele bonitinho, com a camisa 10, né? Então, ele até tem um rosto bonito, mas infelizmente eu não, como vocês podem ver. Posso ficar com cara de brava, mas não nervosa ao participar de um clássico." Amparando as explicações de Sílvia Regina, o SAFESP (Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo) divulgou um nota com o desempenho da árbitra no clássico. Ela foi monitorada, via satélite, por aparelhos que carregou presos ao braço e à cintura. O resultado: Sílvia Regina teve desempenho semelhante ao do restante do quadro de árbitros da Federação Paulista de Futebol. "Eu corri mais de 9 quilômetros - uma média normal - e tive picos de 16 km/h. Ou seja, correspondi à expectativa. Só posso dizer que erros existem e sempre vão existir, tanto para homens como para mulheres", ressaltou. E ainda saiu de campo parabenizada por um dos vice-presidentes da FPF, Reinaldo Rocha Carneiro Bastos. "Ele disse que foi a minha melhor partida da carreira. Achei um pouco exagerado." A árbitra não escondeu que o preconceito ainda existe, apesar dela trabalhar com arbitragem desde 1982. "Só existe eu de árbitra no País e sempre estão colocando a minha competência à prova. Só no ano passado, enquanto a maioria dos árbitros fez dois testes físicos, eu fiz 5. Mas esse preconceito não me atinge. Estou com 40 anos e, pela Fifa, tenho mais 5 anos pela frente. Nunca vou parar de fazer o que gosto pelas reclamações", concluiu.

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