Sílvio Luiz comanda título do São Caetano

As últimas possibilidades de empate do Paulista de Jundiaí, na derrota deste domingo por 2 a 0, no Pacaembu, morreram nas mãos de Sílvio Luiz, goleiro do São Caetano, aos 38 e aos 41 minutos. Para os torcedores do São Caetano, não foi novidade. Eles têm toda a confiança em seu goleiro. E há muito tempo. Sílvio Luiz é o jogador que mais vezes vestiu a camisa do time, desde a sua fundação, em 1989. "São 318 jogos e agora posso gritar que sou campeão. Há muito tempo esperava isso. Chegamos perto muitas vezes e hoje não escapou."A ascendência de Sílvio Luiz sobre os companheiros foi sentida assim que terminou o jogo. Todos estavam abraçados no meio-de-campo, comemorando, quando ele chegou e ordenou que todos se ajoelhassem. E comandou uma vigorosa Ave Maria, gritada em ritmo quase militar. Só então comemorou. "Sonhei que tinha dado a volta olímpica carregando a taça e agora vejo que não é mais sonho. Tinha um pouco de receio e falei que a gente deveria lutar o jogo todo. A gente tinha vantagem, mas tinha de correr atrás deles. E fizemos isso."Em seguida, Sílvio Luiz foi à direção de Márcio. Trocou elogios e camisa com o goleiro do Paulista. Antes de correr para receber a taça, Sílvio Luiz gritava que seu dia tinha chegado. "Nós corremos pela Série A3, pela A2, perdemos o brasileiro para o Vasco, para o Atlético-PR e a Libertadores para o Olimpia. Um dia tudo isso iria passar, mas não adiantava ficar esperando sentado. A gente tinha de continuar trabalhando e nunca deixou de fazer isso. Ninguém merece o título mais do que a gente."O título foi comemorado intensamente também por jogadores que chegaram há pouco tempo ao São Caetano. Casos de Ânderson Lima e Gilberto, que vieram do Grêmio, com Tite. "Já fui campeão outras vezes, mas essa é uma ocasião especial. A gente percebe que pouca gente acredita no São Caetano, mas agora isso está começando a mudar. Demos um grande passo nesse sentido", diz Ânderson.Gilberto comemorava também a escolha certa que fez. Quando todos o consideravam jogador do Corinthians, acertou com o São Caetano. E, depois de uma bela partida, em que anulou Aílton e ainda conseguiu atacar, só tinha agradecimentos. "Deus nos abençoou. Não podemos esquecer disso. Tenho também de agradecer ao Muricy, que chegou no meio do Paulista e deu outra força para o nosso time."Média - Euller era todo elogios para a diretoria, mas deixou claro que ainda há diferença entre ser campeão por um time tradicional e outro de menor expressão. "Quando fui conversar com a diretoria do São Caetano, percebi que esse era um time diferente, organizado e que tinha um trabalho sério para apresentar. Cheguei e me dei bem com todo mundo. Parece que os jogadores se conhecem há muito tempo. Tudo encaixou direitinho. O título é uma sensação sensacional, é bom demais ser campeão."

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