Simon vai para a Copa na melhor fase de sua carreira

Na última sexta-feira, a Fifa confirmou o nome do gaúcho Carlos Eugênio Simon como um dos 23 juízes que trabalharão na Copa do Mundo da Alemanha, a partir de 9 de junho. Pela segunda vez, o brasileiro aparece entre os melhores árbitros do mundo - também foi chamado para o Mundial de 2002, na Coréia do Sul e no Japão, quando apitou duas partidas: Inglaterra 1 x 1 Suécia e Itália 1 x 1 México. ?Recebi a notícia com muita alegria?, disse Simon, de Porto Alegre. Aos 40 anos, o árbitro acredita estar na melhor fase de sua carreira. Apitará até os 45, mas não pretende estar na decisão do Mundial. O motivo é simples: se ele trabalhar na final, significará que a seleção brasileira ficou pelo caminho. Ele prefere comemorar o hexa.Portal - Como você recebeu a notícia de que apitará na Copa? Carlos Eugênio Simon - Recebi com muita alegria e satisfação. O ano passado foi um ano de um árduo trabalho, de muitas dificuldades. Fiz um curso de inglês no Canadá, treinos intensos, fui para a Alemanha participar de um seminário promovido pela Fifa. Fui aprovado com louvor. Me considero um sujeito feliz por trabalhar em mais uma Copa do Mundo.Portal - E como está o seu inglês? Símon - Está bom. Fiz o curso no Canadá e estou falando bem.Portal - Acha que o desempenho em 2002 pesou para novamente ir à Copa? Símon - Não só aquele. Apitei outros jogos importantes, como o Mundial de Clubes (em 2002, vitória do Real Madrid sobre o Olimpia, do Paraguai, por 2 a 0). Me orgulho de ser o melhor árbitro brasileiro.Portal - Como foram os testes da Fifa? Símon - Pela primeira vez, a Fifa fez um trabalho de um ano. Foram testes bem mais fortes que os da última Copa. Uma bateria de exames e cinco provas, entre elas a de inglês. Me saí muito bem em todas elas.Portal - Por que os testes foram mais rigorosos que os de outros anos? Símon - Mudou porque a necessidade faz mudar. Hoje em dia, um árbitro corre, em média, 13 quilômetros por jogo. As exigências são muito maiores. Nós somos muito mais cobrados.Portal - Em algum momento você temeu não ir à Copa por causa do escândalo da Máfia do Apito? Símon - É claro que a arbitragem brasileira ficou manchada com toda essa situação envolvendo o Edílson Pereira de Carvalho. Mas eu estou muito confiante para arrebentar a boca do balão. Já tenho bagagem, não sou marinheiro de primeira viagem, apitei jogos importantes. O fato de apitarmos em mais uma Copa do Mundo mostra que a arbitragem brasileira tem credibilidade, sim, apesar de tudo.Portal - Quais as principais recomendações passadas pela Fifa? Símon - Todos os árbitros vão fazer um curso pouco antes da Copa. Lá receberemos todas as recomendações.Portal - E quando você embarcará para a Alemanha? Símon - Iremos no final de maio.Portal - E o que fará até lá, além de apitar jogos pelos campeonatos regionais, Brasileiro e Libertadores? Símon - Vou continuar com os meus treinamentos fortes. Seguirei me preparando forte, como sempre fiz, sério, contando com o apoio da minha família, que tem sido fundamental na minha carreira.Portal - Gostaria de apitar a decisão da Copa? Símon - Não, a final não. Melhor deixar para o Brasil ser campeão novamente.

Agencia Estado,

03 de abril de 2006 | 09h32

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