Johnny Torres/DIARIO DA REGIAO/PAGOS
O jogo entre Barueri e Rio Preto está sob suspeita Johnny Torres/DIARIO DA REGIAO/PAGOS

Sindicato visita clubes no interior para alertar sobre manipulação

Entidade visitou 33 times; seis relataram problemas

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2016 | 07h00

Representantes do Sindicato dos Atletas de São Paulo visitaram 33 clubes do Estado desde o ano passado para alertar jogadores, técnicos e dirigentes sobre a ação dos manipuladores de resultados. O cenário que encontraram foi alarmante: pelo menos seis clubes já haviam recebido recentemente propostas para “entregar” os jogos em troca de dinheiro.

“A maioria dos clubes tem medo de denunciar esses casos por causa das retaliações. Existe uma máfia de manipulação de resultados. É uma gangue pior que o narcotráfico”, afirma Mauro Costa, diretor de relacionamento da entidade.

Costa fez palestras em clubes de todas as divisões e compartilhou o que aprendeu no curso “Treinando o treinador”, ministrado pela Interpol no ano passado. Durante uma semana, um representante do sindicato de atletas de cada país esteve na Costa Rica para conhecer detalhes sobre a operação dos manipuladores no mundo todo e, principalmente, formas de combatê-las. O curso foi oferecido pela polícia internacional em parceria com Fifa e Fifpro (Sindicato Mundial dos Atletas).

Atletas e dirigentes são orientados a tomar três atitudes diante do manipulador: reconhecer, resistir e denunciar. Em geral, explica o diretor, eles tentam propostas indiretas, oferecendo presentes ou ajuda para a família. Depois, pedem um cartão amarelo. O manipulador faz gravações dessa proposta, aparentemente inocente, para “amarrar” o atleta. Em seguida, começa a chantagem para propostas mais graves, como modificar os resultados dos jogos.

O sindicato mostra o risco de prisão – a pena prevista é de dois a seis anos de acordo com o Estatuto do Torcedor e também o banimento do futebol de acordo com o Código Disciplinar da Fifa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Promotor da 'Mafia do Apito' vai pedir abertura de inquérito

Ação de José Reinaldo Guimarães Carneiro investigará possível manipulação de resultados no futebol do Interior de São Paulo

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2016 | 12h53

O promotor do Ministério Público de São Paulo José Reinaldo Guimarães Carneiro vai pedir na tarde desta terça-feira à polícia civil a abertura de inquérito para investigar possível manipulação de resultado envolvendo a partida entre Rio Preto e Grêmio Barueri, disputada em 11 de fevereiro pelo Campeonato Paulista da Série A-3.  O pedido será feito diretamente ao delegado-geral do órgão, Youssef Chahin. Pela denúncia, dois jogadores do time da Grande São Paulo relataram que a equipe recebeu proposta financeira para perder o jogo por 4 a 0. Esse foi o resultado da partida.

Carneiro age baseado no artigo 41-C, que prevê prisão em caso de condenação para quem "solicitar ou aceitar, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem patrimonial ou não patrimonial para qualquer ato ou omissão destinado a alterar ou falsear o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado".  A pena varia entre dois a seis anos de prisão. "Existem indícios da prática de fraude no futebol, que é um crime do Estatuto do Torcedor. Precisa ser investigado, é um fato grave'', disse Carneiro ao Estado.

O promotor trabalhou no caso que ficou conhecido como 'Máfia do Apito', em 2005.  Na ocasião, 11 partidas do Campeonato Brasileiro que tiveram Edilson Pereira de Carvalho como árbitro foram anuladas e tiveram de ser disputadas novamente. Carneiro explicou que, daquela investigação, surgiu o artigo que agora servirá como base para a investigação. "Esse crime foi introduzido no Estatuto do Torcedor justamente para termos uma ferramenta melhor do que a gente tinha em 2005."

O promotor disse ainda que, depois da Máfia do Apito, não recebeu mais nenhuma denúncia de suspeita de manipulação re resultados envolvendo o futebol brasileiro. "É a primeira vez (desde 2005) que eu vejo um caso que possa ser investigado."  Ele afirma também que até agora não foi procurado por ninguém (jogadores, representantes de clubes e de atletas) com outras denúncias que seriam passíveis de investigação.

INVESTIGAÇÃO

Casos de manipulação de resultados no futebol paulista, na realidade, estão sendo investigados desde setembro do ano passado. São alvos de apuração jogos de várias divisões do futebol estadual.  O inquérito corre no Juizado do Torcedor, comandado pelo juiz Ulisses Pascolati Junior,  sob segredo de Justiça.  O promotor Paulo Castilho é o responsável pelo caso.  E a Federação Paulista de Futebol, em função dessas denúncias, criou o Comitê de Integridade, destinado também a apurar casos de possíveis manipulações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

FPF vê apostas como 'fenômeno global' e vai ajudar na investigação

Em nota, entidade paulista diz que vai ajudar promotores

Estadão Conteúdo

09 de março de 2016 | 19h31

Pouco depois de Ministério Público de São Paulo confirmar que pedirá à Polícia Civil a abertura de inquérito para investigar possível manipulação de resultado envolvendo a partida entre Rio Preto e Barueri, disputada em 11 de fevereiro, pelo Campeonato Paulista da Série A3, a Federação Paulista de Futebol (FPF) soltou nota oficial para comentar o problema e prometeu colaborar com as investigações do caso.

A entidade, porém, não entrou em detalhes sobre o episódio ocorrido na competição que está sob sua chancela e não anunciou nenhuma punição em relação ao Barueri, após dois jogadores do time terem relatado que a equipe recebeu proposta financeira para perder o jogo diante do Rio Preto por 4 a 0, que acabou sendo o resultado da partida.

A FPF apenas ressaltou que "a manipulação de resultados é um fenômeno global, e todos os campeonatos e clubes do mundo, infelizmente, estão sujeitos a conviver com este tipo de prática". "Grandes ligas do planeta já foram centro de escândalos de manipulação e buscam, por tal razão, adotar medidas preventivas e combativas que buscam proteger suas competições", continuou a entidade, na nota oficial.

Em seguida, a FPF lembra que criou, no final do ano passado, um Comitê de Integridade, "cujo objetivo é prevenir e inibir possíveis delitos que envolvam o esporte". "O Comitê é formado por seis membros de diversas entidades que analisam indícios e denúncias, além de orientar árbitros a relatar possíveis condutas suspeitas de atletas e comissões técnicas. Paralelamente, no início do ano, a FPF firmou parceria com a SportRadar, empresa especializada em monitorar possíveis manipulações em resultados, que faz varreduras em casas de apostas para identificar movimentos suspeitos. Havendo casos que despertem atenção, eles são relatados à FPF", enfatizou a nota, que depois enfatizou que essas medidas "foram destacadas pela Interpol (Polícia Internacional) em seu informativo semanal mais recente".

Para encerrar, a FPF falou de forma superficial sobre sua atuação no combate a este tipo de prática ilegal no futebol paulista. "Preocupada em evitar este tipo de delito nas competições do Estado, a FPF também está em sintonia com a Justiça Desportiva e com o Ministério Público. Temos colaborado ativamente com as autoridades para que todas as denúncias sejam apuradas e esclarecidas o mais breve possível".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

América revela ter recebido oferta de R$ 160 mil para perder jogo

Presidente do clube, Pereira Neto recorda que a partida era contra o Vocem em jogo da Segunda Divisão do Paulista de 2015

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2016 | 11h53

O presidente do América de São José do Rio Preto, José Carlos Pereira Neto, afirmou ao Estado ter recebido uma proposta de R$ 160 mil para que seu time perdesse uma partida para o Vocem, pelo Campeonato Paulista da Segunda Divisão do ano passado.  A oferta foi feita por uma pessoa que disse se chamar Edmilson e que representava clubes do Catar interessados em jogadores da equipe paulista. O cartola do clube do Interior afirmou ter rechaçado a oferta e, depois disso, não foi mais procurado. O Vocem venceu aquela partida por 4 a 1.

O Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo investiga dois casos de suposto suborno para que equipes perdessem suas partidas a fim de beneficiar esquemas de apostas pelo mundo. Os clubes envolvidos são o América de São José de Rio Preto e o Grêmio Barueri. Os episódios teriam ocorridos em 2015, nas séries inferiores do futebol paulista. As denúncias foram publicadas pelo jornal Diário de S. Paulo na semana passada. As informações serão apuradas também pelo Ministério Público, com participação da Federação Paulista de Futebol e Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo.

Pereira Neto recorda que o encontro ocorreu em julho de 2015 e que não deixou o suposto empresário falar com seus jogadores. "É assim que eles agem. Chegam de mansinho, dizendo ter interesse em contratar jogadores para serem atendidos. Aí, durante a conversa, fazem a oferta", contou o presidente do América.

De acordo com ele, o "empresário'' estava acompanhado com um homem com traços orientais, que ficou no carro enquanto ambos conversavam. Ao fim do encontro, o presidente foi até o carro e percebeu que o oriental estava com uma mala, onde se podia ver notas de euros. O dirigente disse ter comunicado o fato à FPF, já prestou depoimento à entidade sobre o assunto e prestará outro nos próximos dias. "A polícia e a Interpol precisam investigar. Eles têm como chegar nessas pessoas. O cara que conversou comigo, por exemplo, disse se chamar Edmilson. Mas eu sei lá se ele se chama mesmo Edmilson."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.