'Sinto como se eu fosse um campeão', diz Marcos sobre o título do Palmeiras

Aos 38 anos, ex-goleiro e ídolo do time comemora primeiro título após ter parado de jogar

Daniel Akstein Batista e Daniel Batista, estadão.com.br

12 de julho de 2012 | 19h10

SÃO PAULO - Acostumado com os holofotes por ser o responsável por defesas milagrosas que garantiram vitórias e títulos ao Palmeiras, Marcos viveu uma noite diferente em Curitiba e durante a festa em São Paulo. Pela primeira vez desde que pendurou as luvas, comemorava um título alviverde como um torcedor. Mas não é qualquer torcedor, mas sim São Marcos. Por isso, teve mais destaque do que a maioria dos atletas durante as festividades.

No vestiário esbanjou simpatia, como o habitual, e como um bom embaixador do clube, fez questão de distribuir elogios principalmente para quem foi tão criticado. “Agora todo mundo quer ser o pai da criança, mas a verdade é que os que foram mais xingados são os que merecem mais os parabéns. Felipão, Tirone e Frizzo fizeram um grande trabalho”, disse o ex-goleiro, que ‘pegou gosto’ por comemorar como torcedor.

Com 38 anos e campeão do mundo, o ex-goleiro parecia um garoto que acabara de ganhar seu primeiro título como profissional. Durante as entrevistas brincou com jornalistas, soltou suas frases de efeito, ironizou seus amigos do Palmeiras e mostrou que realmente não consegue se desvincular do clube. “Sinto como se eu fosse um campeão também. Eu nada mais sou do que um torcedor agora, que ao contrário dos outros, tem a oportunidade de estar mais próximo dos jogadores. Gostei disso.” 

Uma das coisas que cativa o torcedor palmeirense é que Marcos geralmente fala exatamente o que a maioria deles pensam. Não foi diferente em Curitiba. Em meio ao título, desabafou. “Estava difícil até de fazer nossos filhos torcerem para o Palmeiras. Você fala que é o melhor time, mas ai o moleque reclama que o Palmeiras nunca ganha nada, você não tem nem o que falar. Agora não... a molecada vai ser toda palmeirense.”

Apesar de toda emoção, Marcos jura que não sente nem um pouco saudades dos tempos de goleiro e que não lamenta ter aposentado justamente no ano em que o Palmeiras voltou a ser campeão. “Parei no momento certo. Se eu estivesse jogando, a gente não teria passado nem das quartas, porque eu iria errar em alguma coisa. Assim está ótimo e o Bruno foi muito bem.”

Marcos foi um dos alicerces de Felipão ao longo da competição. Embora não ocupe um cargo diretivo no clube, ele esteve presente em diversos momentos e conseguiu ajudar a melhorar o ambiente do clube. Por isso, tem a convicção que muitos jogadores da equipe vão surpreender alguns torcedores a partir de agora. A pressão pela ausência de títulos no Palmeiras era um fardo muito grande para alguns deles. “Título sempre te dá uma maior tranquilidade para trabalhar. Você vai ver como essa conquista vai fazer bem para alguns jogadores. Eles ficam mais animados, eu era assim e a maioria também é. Esses jogadores vão passar a jogar ainda mais do que jogam. Você vai ver.”

O ex-goleiro foi presença constante nas viagens do Palmeiras durante a Copa do Brasil. Com seu bom humor conseguiu diminuir o clima de ansiedade dos jogadores fazendo piadas e brincadeiras. Além disso, realizou diversos eventos ligados ao clube no dia dos jogos, que serviam para chamar mais atenção do que os próprios jogadores nas cidades.

A Libertadores do ano que vem será especial para o goleiro, agora torcedor. E se já não tinha papas na língua nos tempos de atleta, imagine agora. Por isso, ao ser questionado sobre uma possibilidade do Palmeiras reencontrar o Corinthians na competição continental, vestiu a camisa e alfinetou. “Tem Corinthians ano que vem. O terror dos corintianos voltou, meu velho”, lembrando o fato do Alviverde ter eliminado o rival nos anos de 1999 e 2000. Foi justamente na decisão por pênaltis de 99, quando defendeu a cobrança de Marcelinho Carioca, que ele se transformou em São Marcos para os torcedores.

 

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