Situação de Careca pode se complicar

O ex-jogador da seleção brasileira, Careca, presidente do Campinas Futebol Clube ainda deverá ter muitos problemas por causa da suspensão, por um ano, dos jogadores Jeda e Dedé. Ambos foram negociados com o Vicenza da Itália, mas entraram no país com passaportes falsos. Além de estar sofrendo ameaças de ser processado, ele também terá que quitar débitos com outros empresários ligados ao futebol.A primeira ameaça é do procurador de Jeda, Eliseu de Oliveira, conhecido por Tiroga, que promete processar Careca e Edmar Bernardes, ex-atacante do Corinthians e vice-presidente do Campinas. Ambos seriam, segundo Tiroga, os responsáveis pela suspensão do atacante, vendido ao Vicenza por US$ 1 milhão. O prejuízo pela punição, segundo Tiroga, será de US$ 250 mil.Em Campinas, Careca disse que vai processar o empresário, tanto que vai ter uma reunião com seus advogados, na próxima segunda-feira. Ele garante que Jeda será defendido pelo seu atual clube. E que Dedé terá seu apoio, inclusive financeiro, se necessário. Assegura também que a falsificação de passaportes foi feita por "empresários e agentes" e que não participou diretamente de nada.Esquema - Careca garante, ainda, que não deve nada a ninguém. Não é bem assim. O empresário Edgar Moura, ex-presidente do São Bento de Sorocaba, cobra na justiça uma dívida do Campinas, em torno de US$ 300 mil. Moura teria financiado uma viagem do Campinas para participar da Copa Carnevalle, na Itália, e teria um percentual de 30% sobre a negociação de algum jogador.Como Jeda foi vendido por US$ 1 milhão, Moura reivindica US$ 300 mil. O problema é que pelo dinheiro da venda, Careca embolsou US$ 400 mil e pagou outros US$ 600 mil ao União São João de Araras, que era dono do passe. A ação corre na justiça cível de Campinas desde o dia 5 de julho de 2000.Com relação a Dedé, novos problemas. Para inscrevê-lo no Campinas, Careca ofereceu garantias ao seu clube de origem, o Primavera de Indaiatuba, no valor de R$ 700 mil. A documentação está nas mãos do empresário Antonio Franscischinelle, que é proprietário da Maggi Empreendimentos, responsável pelo futebol do clube integrante do Campeonato Paulista da Série B-2. As duas partes brigam pelo passe do zagueiro Dedé, ainda preso ao Campinas uma vez que ele não foi aprovado pelo Vicenza. O jogador, de 20 anos, está sem jogar há nove meses e terá que ficar mais um ano longe do futebol, além disso garante que não tem recursos para sobreviver.Os problemas de Careca são maiores. No começo da semana ele entregou a casa que servia de concentração para o Campinas. Ele deverá ser acionado na justiça pela falta de pagamento de dois anos de IPTU - Imposto Territorial Urbano - no valor aproximado de R$ 300 mil. O ex-jogador Careca, agora como empresário de futebol, parece estar em apuros.

Agencia Estado,

28 de junho de 2001 | 19h17

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