CELSO LUIZ/DGABC
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Situação do Água Santa causa comoção na reunião da FPF

Palmeiras e Santos tentaram interferir a favor do time de Diadema

Almir Leite, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2015 | 07h00

Dois temas tornaram o Conselho Técnico dos clubes da Série A1 do Paulistão de 2016, realizado na quinta-feira na sede da Federação Paulista, longo e tenso: o aumento no número de rebaixados e a não confirmação do caçula Água Santa no campeonato. O clube não tinha, no momento da reunião, como garantir um estádio com capacidade para 10 mil pessoas para mandar seus jogo, de acordo com o que determina o regulamento.

Os temas polêmicos prolongaram a reunião, que teve a duração de quase quatro horas - foi interrompida para o sorteio dos grupos, feito no horário do programa esportivo da TV aberta que detém os direitos de transmissão e retomada a seguir.

A situação do Água Santa foi a que tomou mais tempo e acirrou mais os ânimos de todos os temas discutidos. O clube de Diadema conquistou em campo o acesso. No entanto, a falta de um estádio com capacidade para 10 mil pessoas para que possa mandar seus jogos levou o sonho por água abaixo.

O clube está reformando o estádio José Batista Pereira Fernandes, municipal e conhecido como Inamar (nome do bairro em que está localizado). O problema, segundo alguns dirigentes presentes à reunião, é que as obras estão sendo feitas por etapas e não privilegiaram as dependências para o público - vestiários e áreas internas estariam em estágio mais avançado.

A consequência é que sem arquibancadas concluídas e ainda sem o gramado, o Água Santa, que disputou sua primeira competição profissional em 2013, não teve como apresentar os laudos necessários para garantir a participação.

Os presidentes de Santos, Modesto Roma Junior, e Palmeiras, Paulo Nobre, ainda tentaram interceder a favor do time de Diadema, sugerindo que pudesse jogar em outro estádio enquanto não resolvesse os problemas do seu. Vários outros presidentes se manisfetaram em defesa do Água Santa, para ver o que era possível fazer, mas prevaleceu a defesa do regulanmento.

Para isso, a palavra do presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, foi fundamental. "Houve um posicionamento firme por parte do presidente da federação para que se cumprisse o regulamento. Todos se mostraram solidários, porque sabemos como é difícil conquistar o acesso, e ele (Água Santa) conquistou isso dentro de campo, porém não é só o acesso. Tem também as consequências que traz o acesso, as melhorias que são necessárias'', disse o presidente do Novorizontino Genilson da Rocha Santos. O time de Novo Horizonte volta à Série A1 no próximo ano.

Rebaixamento

O aumento no número de rebaixados de quatro para seis clubes também causou polêmica, embora um pouco menor. Era um desejo da emissora detentora dos direitos -, mas o presidente Carneiro Bastos também argumentou com a melhora do nível da competição a partir de 2017.

Ainda assim, os clubes reclamaram, uns menos, outros em tom mais inflamado. Nem tanto pela redução para 16 clubes, que de maneira geral todos concordam ser boa medida. O problema foi a forma abrupta, de caírem seis de uma só vez. Mas uma proposta alternativa, de cair quatro e só subirem dois nos próximos dois campeonatos, para que se chegasse aos 16 em 2018 sequer foi considerada.

No fim, a decisão de dar uma compensação financeira para for o quinto e o sexto rebaixados resolveu o problema. Todos acabaram concordando com a proposta da FPF de degolar já seis dos 20 participantes. "Para os times pequenos, é complicado (o aumento do número de clubes que cairão). Mas pelo menos haverá uma compensação'', resignou-se o vice-presidente do Botafogo, Octavio Valini Júnior.

O valor desse bônus ainda não foi definido. Mas a cota de todos os clubes pequenos já havia tido um aumento de cerca de 20% em relação ao pago no Paulistão de 2015, e alcançará algo em torno de R$ 4 milhões para a menor das faixas da divisão.

A pressão para a redução de clubes era grande e o assunto vinha sendo discutido dentro da FPF há alguns meses. Por isso, os clubes já sabiam o que os esperava na reunião do conselho. "Foi um posicionamento da federação, não foi colocado em votação'', revelou Rocha Santos, o presidente do Novorizontino. "É para que o Campeonato Paulista se torne mais enxuto, porém mais forte.''


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