Só 5 das 41 obras previstas estão terminadas

Grande maioria das intervenções é prometida para próximo do início da Copa, mas algumas não serão entregas

Almir Leite, Anna Ruth. Eduardo Bresciani, Márcio Dolzan,

08 de fevereiro de 2014 | 16h00

SÃO PAULO - A não utilização de dinheiro público nas arenas e o legado permanente para o cidadão que representariam as obras de mobilidade urbana – expansão e construção de avenidas, criação de corredores e de meios diversos e eficientes de transporte coletivo, entre outras – foram dois dos argumentos utilizados por dirigentes e autoridades para vender a Copa do Mundo como bom negócio para os brasileiros. O financiamento privado dos estádios logo foi por terra. E das obras de mobilidade, até agora, pouco se viu.

"A mobilidade vai ser a maior frustração da sociedade em relação à Copa", disse ao Estado Gil Castelo Branco, secretário geral da ONG Contas Abertas. "Várias obras foram excluídas da Matriz de Responsabilidades e outras não ficarão prontas a tempo. É um resultado pífio.’’

A  Matriz foi assinada em 13 janeiro de 2010. Previa 56 obras de mobilidade e R$ 15,4 bilhões em investimentos. Após várias alterações, na versão recente, de setembro passado, com atualização em novembro, restaram 41 intervenções, com gasto previsto de R$ 8 bilhões.

Até o momento, há apenas cinco obras concluídas, nenhuma de grande porte: a Estação Cosme e Damião do metrô e o Viaduto da BR-408, em Pernambuco (intervenções próximas ao estádio); as vias de acesso à Fonte Nova, em Salvador; o corredor de ônibus Arrudas/Teresa Cristina, em Belo Horizonte; e a reforma do Terminal Santa Cândida, em Curitiba.

Há vários empreendimentos com finalização prometida para este mês, outros em março e em abril. Alguns têm o término planejado para maio, ou seja, em cima da Copa. Mas as autoridades garantem que sairão.

"A Transcarioca está 85% concluída, com grandes estruturas já abertas ao trânsito. Nosso compromisso é concluir antes do Mundial", disse o secretário de Obras do Rio de Janeiro, Alexandre Pinto, sobre o corredor de 39 km que vai ligar o Aeroporto do Galeão à Barra da Tijuca.

Em Brasília, que tem apenas uma obra na Matriz, a Coordenadoria de Comunicação para a Copa também garante que a DF-47 ficará pronta a tempo. "A obra está dentro do cronograma, com aproximadamente 80% de conclusão. A entrega está prevista para maio", afirmou em nota. O cronograma, nesse caso, é o atual, pois o da Matriz de 2010 previa que tudo estaria pronto em novembro de 2011.

Pelo ritmo e estágio atual da obra, é possível apostar que ficará pronta antes da Copa. Mas é arriscado fazer o mesmo com outras obras prometidas para maio. As intervenções viárias que vão melhorar o tráfego até a Arena das Dunas, em Natal, por exemplo, estavam no fim de janeiro com 45% dos serviços concluídos. Ou seja, qualquer contratempo pode fazer o prazo estabelecido ir para o espaço.

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