Só Libertadores pode salvar Tite

A derrota para o Internacional no domingo, a segunda em apenas trinta dias, eliminou o Grêmio do campeonato gaúcho e levou o clube à crise, algo que ainda não havia se instalado no Olímpico nesta década. O técnico Tite será chamado pela diretoria nesta terça-feira para explicar o péssimo desempenho do time neste ano. E pode ficar desempregado se não vencer o Bolívar, nesta quinta-feira, pela Copa Libertadores da América. Na realidade, a competição sul-americana e o campeonato brasileiro viraram as únicas metas para o Grêmio, que não participa da Copa do Brasil, no ano de seu centenário. Nem uma vitória sobre o Caxias, na última rodada, domingo, salva este ano festivo de figurar como o pior do tricolor na história do campeonato gaúcho. A não ser que 1919 entre na comparação. Naquele ano o campeonato foi disputado em apenas um jogo, a goleada de 5 a 1 do Brasil de Pelotas sobre o tricolor da capital. O Grêmio é o lanterna da fase inicial de 2003, com apenas dois pontos. Seus melhores resultados foram os empates com o Caxias e o Juventude. Mesmo que trate o campeonato gaúcho com um certo desdém, o Grêmio está devendo. Sua única vitória oficial em 2003 foi o 3 a 2 sobre o Pumas na abertura da Libertadores, num jogo sofrido e que só foi desempatado aos 45 minutos do segundo tempo. Depois, em Montevidéu, o time sofreu dois gols em apenas cinco minutos, no final do jogo, e deixou escapar a vantagem de 2 a 0 que tinha sobre o Peñarol. Tite é criticado por não ter substituído Gavião, que sentia dores, por Amaral, para segurar o resultado no Centenário. No domingo, ao retirar o centroavante Christian quando o Internacional já estava na frente, o técnico ouviu gritos de "burro" vindos das arquibancadas do Beira-Rio, quase uma ruptura para uma lua-de-mel com a torcida que estava indo para o terceiro ano. Bastou a possibilidade da demissão de Tite e da comissão técnica ser ventilada para os jogadores saírem em defesa do técnico. "O Tite não é o único responsável", salienta o ala Anderson Lima. "Nós vamos reverter a situação e com a mesma comissão técnica, sem trocar nada", promete o armador Rodrigo Fabri. "Os culpados são os jogadores." O volante Gavião prefere lembrar que a temporada ainda está no início. "Falta só readquirirmos o entrosamento que nos trouxe à Libertadores", avalia, referindo-se à campanha do clube no campeonato nacional do ano passado. Depois de um começo vacilante, em que chegou a ficar na zona de rebaixamento, o Grêmio embalou e chegou ao terceiro lugar. A chance de apaziguar os ânimos no Olímpico é a primeira fase da Libertadores. Se vencer o Bolívar, o Grêmio chega a sete pontos e fica dependendo de apenas mais uma vitória, nos três jogos que ainda terá, para chegar às oitavas-de-final. Mas a parada não é tão fácil. Dois jogos do segundo turno, contra o Pumas e o Bolívar, terão como componentes a altitude da Cidade do México e de La Paz. O outro é no Olímpico, contra o Peñarol, que mesmo estando em má fase, sempre complica a vida dos times brasileiros.

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