'Só me vejo fazendo gol no Japão', diz Emerson Sheik

Atacante esbanja otimismo, se diz pronto para brilhar e espera, mais uma vez, ser o herói da Fiel

Vítor Marques, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 11h39

SÃO PAULO - Criou-se um mito de que esse Corinthians não tem estrelas, que é uma equipe que tem "alma", como já disse Tite. Isso não significa, porém, que não há um jogador decisivo. Emerson é. E virou herói ao marcar os dois gols da final da Libertadores contra o Boca Juniors.

Ainda que se sinta desconfortável com o rótulo de "novo Basílio", eternizado pelo gol do título Paulista de 77, o atacante reconhece, em entrevista ao Estado, que valoriza muito o carinho da torcida. "Não tem como negar essa identificação."

Sheik volta ao time no momento certo, às vésperas do Mundial do Japão. A ansiedade e um certo nervosismo não tiram dele a ambição de dar ao time mais um título. "Só me vejo fazendo gol no Japão, no primeiro e no segundo jogo." É bom não duvidar de Sheik.

Um jogador experiente também fica ansioso para jogar uma competição como o Mundial?

EMERSON - Por mais que se tenha vivência no futebol, não tem como você não ficar ansioso, nervoso. Tudo isso é normal, mas estou tranquilo porque a nossa preparação está sendo bem bacana, bem planejada.

Em qual estágio o Corinthians vai chegar ao Japão?

EMERSON - Parte dos jogadores que conquistou o título brasileiro de 2011 e a Libertadores de 2012 permaneceu, poucos saíram, e algumas peças chegaram para repor elenco. E depois o Tite veio montando a equipe que ele acha ideal para a disputa do Mundial. A gente está no caminho certo, sei que são dois jogos difíceis, mas o nosso time está forte.

E como você chega para esse Mundial?

EMERSON - Tive a lesão no joelho (direito) contra a Portuguesa e o pessoal do departamento médico foi brilhante porque acelerou a recuperação. Foi uma contusão complicada, eu tenho uma sensibilidade enorme para dor e isso dificulta na recuperação. O departamento médico me colocou para treinar antes do previsto, mas me colocou em campo uns dois jogos depois do planejado para eu não correr risco lá na frente.

Com a suspensão de cinco jogos e a lesão, você temeu perder espaço no time?

EMERSON - Em toda a minha carreira a minha resposta foi dentro de campo. O meu histórico de vitórias e de conquistas está aí, não preciso falar nada, não preciso provar nada a ninguém. Mas, por outro lado, outros atletas também buscam o seu espaço dentro do Corinthians. Eles têm o meu respeito, mas só podem jogar 11. Particularmente, eu quero jogar e estou me preparando para isso.

Também acha a Libertadores mais difícil que o Mundial?

EMERSON - Na Libertadores, você pode correr atrás, tem a primeira fase. No Mundial, não. Se perder, acabou. A margem de erro é pequena. O Mundial é mais difícil porque são só dois jogos, na Libertadores dá para recuperar.

Acha que o Chelsea está abalado com a mudança de treinador?

EMERSON - Temos um jogo ainda antes da final. Mas falando do Chelsea, não vejo muita vantagem na mudança de treinador. Talvez até seja uma desvantagem porque motiva mais os atletas, quem estava fora quer provar que pode jogar, outros querem correr mais. O Chelsea é uma equipe forte. O Corinthians está na beirada, humilde, mas é uma equipe forte e competitiva. Vamos brigar pelo título.

Você considera essa equipe do Corinthians a mais forte das quais você já defendeu?

EMERSON - Peguei um grupo forte no Fluminense também, com jogadores como Deco, Belletti, Fred, Conca... O Corinthians é um grupo forte também, mas tem um outro diferencial: aqui ninguém quer aparecer mais do que o outro, todos se respeitam. Isso é bacana e por isso os resultados e as conquistas estão aparecendo. Aqui não tem vaidade. Quem quer aparecer a gente dá uma bica. O bacana desse time é que um corre pelo outro, o objetivo é único. O Tite é um técnico justo. Ele teve a felicidade de pegar um grupo com cabeça boa e ele, com toda inteligência, lapidou esse elenco da maneira dele.

Pelos dois gols na final da Libertadores, acredita que será lembrado como o Basílio, autor do gol de 77?

EMERSON - Prefiro ser lembrado de outra maneira, do cara que conquistou o Brasileiro, a Libertadores e, se tudo ocorrer bem, o Mundial. Na Libertadores, tive a felicidade de fazer os gols na final, mas tem toda uma história antes daqueles gols. Sei que vou ser lembrado pelos gols, mas não me acho mais ou menos importante por isso, não quero ter esse rótulo.

Mas você se considera um ídolo da torcida?

EMERSON - Tenho essa noção e valorizo muito isso. É difícil sair na rua, sou querido e não tem como negar essa identificação. Aqui, como diz o Tite, tem de ralar a bunda no chão para jogar.

Você se vê marcando gol no Japão?

EMERSON - Só me vejo fazendo gol. Tem o primeiro jogo, mas me vejo fazendo gols no primeiro e no segundo jogo do Mundial.

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