Só na bola

Hoje tem grito de campeão, o último do ano por estas bandas, já que ficamos sem representante no Mundial de Clubes. (O River Plate é bacana, mas não joga por nós.) Depois do clássico no Allianz Parque quem fará a festa? Santos ou Palmeiras? O bom senso e o placar do primeiro duelo indicam os alvinegros como favoritos nesse tira-teima. Ganharam na semana passada por 1 a 0, jogam por empate, possuem conjunto mais estável e letal do que o dos palestrinos.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2015 | 03h00

Situação, portanto, irreversível? A CBF pode levar o troféu e entregá-lo para a rapaziada de Dorival Júnior, antes mesmo do apito inicial? Engana-se quem pensar assim. No futebol, não se decide previamente - excluídas situações, digamos, estranhas e excepcionais. Aquelas em que forças ocultas agem nos bastidores e o que ocorre no gramado não passa de farsa.

Não é o caso do choque de hoje. Apesar de muxoxos, aqui e ali, com a indicação de Heber Roberto Lopes para ser o juiz, confia-se de antemão apenas no poder de decisão das equipes. O esforço dos jogadores, a estratégia dos treinadores e o coro das torcidas vão compor o roteiro. E só. Provocações e insinuações por causa da arbitragem de Luiz Flávio de Oliveira não levam a nada, exceto a tensão desnecessária.

Provocações fazem parte de momentos decisivos, como parte do show. Mas futebol se decide com bola nos pés, e não com conversa fiada. Jogadores sabem disso, e não devem comprar brigas de cartolas e arquibancadas. 

Por se definir com a gorduchinha (salve, Osmar Santos!), existe chance para o Palmeiras rejeitar o papel de coadjuvante que lhe é imposto. A condição para tal é que finalmente evite desempenho decepcionante que se repete no mínimo há dois meses. O time de Marcelo Oliveira vinha bem no Brasileiro, flertava com o G-4, crescia. Em determinado momento, perdeu o equilíbrio entre defesa e ataque, embaralhou-se no meio-campo e se tornou vulnerável. 

O Palmeiras atual não sabe direito o que pretende. Não marca nem cria, tampouco ataca com eficiência. Uma ação liga-se às outras. Na teoria, houve a intenção de aumentar o poder ofensivo, com Dudu, Gabriel Jesus e Barrios. Sempre louvável a busca do gol. 

O trio anda instável, como também decaiu o futebol de Robinho, influente no setor, enquanto Arouca amargou contusão e Amaral (ou quem atue como primeiro volante) não ostenta a regularidade de Gabriel, há meses em recuperação. Por extensão, a defesa, que é lenta, ficou exposta e passou a levar ao menos um gol por partida.

O perigo aumenta porque do outro lado está o Santos, que em grande parte dos jogos de 2015 marcou, nem que fosse uma vez. Se mantiver a média, obrigará o Palmeiras a desdobrar-se até para levar para os pênaltis. Pesa em favor do campeão paulista o crescimento de jovens como Marquinhos Gabriel, Zeca, Lucas Lima (o regente), Thiago Maia, e Gabigol, sob a orientação de Renato e Ricardo Oliveira. 

O futebol santista flui, a vocação para o gol desponta com naturalidade, a confiança cresceu, sem que se tenha transformado em presunção, a velha máscara. Está em condições de festejar no campo rival, até com folga, desde que não suba no salto nem perca o controle emocional. 

Ainda assim, não cravaria o clássico como barbada santista. Não custa lembrar que a camisa verde pesa.

Melhor do mundo. Neymar compõe o trio de finalistas ao prêmio de melhor do mundo oferecido pela Fifa. Divide a corrida com Messi e Cristiano Ronaldo, colecionadores da Bola de Ouro. Bacana, merecido. E daí? Só agora descobriram que o moço joga muito? Só porque está no Barcelona? Ora, quem o acompanha desde que surgiu no Santos sabe que é craque e não se espanta com a indicação. Neymar não precisa ter o aval dos europeus. E, indo além: que diferença faz ter “o melhor do mundo”, quando se sabe o tanto de interesse econômico que existe nesse tipo de escolha?


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