Wilton Júnior| Estadão
Wilton Júnior| Estadão

Sob aplausos e Hino Nacional, Carlos Alberto Torres é sepultado no Rio

Velório na sede da CBF terminou por volta das 9h30

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2016 | 11h35

Num túmulo singelo, rodeado por sepulturas simples no cemitério do Irajá, na zona norte do Rio, foi enterrado ontem o corpo do Capitão do Tri, Carlos Alberto Torres. O Hino Nacional, a música “Pra Frente Brasil” – que marcou a campanha vitoriosa da Copa de 1970 – e aplausos de familiares, personalidades do esporte e de torcedores anônimos serviram como última homenagem ao Capita.

Dentre os presentes estavam cartolas da CBF, como o coronel Antônio Carlos Nunes, um dos vice-presidentes da entidade, e o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), diretor de Assuntos Internacionais. O presidente Marco Polo Del Nero não esteve no enterro nem ao velório, que foi realizado por cerca de 12 horas na sede da entidade. Antes, Del Nero ligou para familiares de Carlos Alberto Torres e mandou uma coroa de flores. 

O técnico Tite e o coordenador da seleção, Edu Gaspar, também não compareceram. Dos últimos técnicos da equipe que Carlos Alberto Torres “serviu” – ele fazia questão de usar esse verbo para se referir à seleção brasileira – o único que se fez presente foi Carlos Alberto Parreira, que demonstrava abatimento.

Zagallo, que treinou o capitão na Copa de 1970, está debilitado. Ele informou por intermédio do filho que estava “muito consternado” com a morte do ex-jogador.

Coberto com a bandeira do Brasil, o caixão com o corpo de Carlos Alberto, que faleceu após sofrer um enfarte na manhã de terça-feira, foi trasladado da sede da CBF ao cemitério num caminhão do Corpo de Bombeiros. À frente, batedores da Polícia Militar facilitavam o caminho. O percurso durou cerca de uma hora e passou por vias movimentadas do Rio.

No cemitério, o corpo do Capita foi recebido por pelo menos 200 pessoas. Havia torcedores identificados com camisas de diversos clubes cariocas. Uma bandeira do Santos também foi estendida.

HOMENAGEM

Partiu desses torcedores as homenagens mais efusivas. “Vamos cantar o hino pessoal!”, insistiu um, até conseguir puxar o coro. Outro lembrou do tema que embalou o título de 1970. “Todos juntos vamos, pra frente Brasil. Salve a seleção!”, cantou, logo ganhando a companhia de outros presentes. 

Próximo ao túmulo, Paulo César Caju, companheiro de Carlos Alberto na conquista do tri, fazia companhia ao filho do capitão, Alexandre Torres. Também ex-jogador, Alexandre enalteceu o lado pessoal do pai.

“A história como jogador na Copa de 70 está eternizada. A saudade agora será como pai, avô e bisavô”, afirmou. “Às vezes as pessoas não conhecem a pessoa, apenas o mito. Desconhecem o grande coração, alguém que gostava das pessoas e de reunir os amigos.” 

Último jogador a erguer o troféu de campeão do mundo pelo Brasil, o ex-lateral direito Cafu definiu o dia de ontem como “muito triste” para o futebol. 

“Ele é um ídolo e uma das maiores referências na nossa posição”, disse Cafu, que lembrou o gesto de Carlos Alberto de beijar a taça Jules Rimet após o título conquistado no Mundial do México. “Foi nosso maior capitão.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.