Alexandre Vidal/Flamengo
Alexandre Vidal/Flamengo

Sob desconfiança, Flamengo e Botafogo fazem clássico da 'turbulência' no Rio

Apesar da disparidade econômica, os dois times passam por momentos de questionamento nas competições que participam

Pery Negreiros, especial para o Estado, Estadao Conteudo

28 de julho de 2019 | 11h00

Flamengo e Botafogo fazem, neste domingo, às 16h, um clássico que poderia ser de opostos no Campeonato Brasileiro, se fosse levado em conta apenas o quesito saúde financeira dos clubes. Na prática, entretanto, o torcedor que for ao Maracanã verá duas equipes às voltas com um mesmo sentimento: a desconfiança.

De um lado, estará um time que conta com um elenco milionário e nunca em sua história investiu tanto, recheando seu elenco com jogadores como Filipe Luís, Rafinha, Rodrigo Caio, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabriel Barbosa, entre outros.

De outro, um clube que passa por sérios problemas em seus cofres, chegando a contar recentemente com pacto de silêncio de seus jogadores em protesto contra atrasos nos pagamentos. Tamanha discrepância, porém, não se repete em termos de tensão para este domingo, com ambas as equipes similarmente imersas em uma "zona de turbulência".

Na parte mais rica da rivalidade, a eliminação do time nas quartas de final da Copa do Brasil para o Athletico-PR e o grande risco do mesmo destino se concretizar no meio da próxima semana nas oitavas da Copa Libertadores (na ida, derrota de 2 a 0 para o Emelec, em Guayaquil) já acionaram o sinal de alerta no clube.

No lado botafoguense, além de vir de derrota no jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana para o Atlético-MG na última quarta-feira em casa (1 a 0), o bom desempenho do início do Brasileirão deixou de se repetir e a equipe não sabe o que é vitória há três jogos na competição.

No encontro deste domingo, que é apenas o segundo do ano entre as duas equipes (pelo Campeonato Carioca, vitória de 2 a 1 do Flamengo no Engenhão), portanto, a necessidade de vitória para tentar desanuviar o ambiente passou a ser o elo que une os dois clubes neste domingo.

Com 21 pontos e lutando para encostar nos líderes, o treinador Jorge Jesus convive com a dúvida entre escalar ou não todos os atletas disponíveis, sob risco de desgastar mais ainda a já desfalcada equipe para o jogo contra o Emelec na próxima quarta-feira.

Já o time de General Severiano, com 16 pontos, tenta se aproximar do rival na tabela de classificação sem contar com a mesma qualidade de peças no elenco - até perdeu um dos destaques, o atacante Erik, que pertence ao Palmeiras e seguiu por empréstimo para o Japão na última sexta-feira.

Para o zagueiro botafoguense Gabriel, as ausências no adversário não devem ser encaradas como grande vantagem para seu time, mas o caminho para a vitória pode ser encontrado com uma alternância entre humildade e ousadia.

"Desfalques desses são importantes, mas não podemos achar que será fácil. Não podemos cair nessa armadilha. Vamos com total humildade para marcar da melhor maneira possível e, com a bola, atacar. Um jogo super importante, uma briga boa na parte de cima da tabela e um clássico. Humildade, mas ousadia na hora de atacar para buscar a vitória", comentou o defensor.

No lado rubro-negro, os desfalques já confirmados são os dos meias Arrascaeta, que ainda se recupera de uma lesão muscular, e Everton Ribeiro, com lesão no pé; além de Diego e Vitinho, que passaram por cirurgias e devem ficar por muito tempo longe dos gramados.

Na defesa, Léo Duarte, que negocia com o Milan e pode se despedir do clube, deve dar lugar ao espanhol Pablo Marí, que pode estrear no time. Já o lateral-esquerdo Renê tem tudo para ser poupado e dar lugar a Trauco, enquanto, no ataque, Lincoln e Lucas Silva disputam uma das vagas deixadas pela série de desfalques no setor.

O Botafogo, por sua vez, não contará com o lateral-esquerdo Gilson, suspenso devido à expulsão na derrota para o Santos no último domingo. Jonathan é o reserva imediato à disposição do técnico Eduardo Barroca. No setor de ataque, Luiz Fernando e Rodrigo Pimpão competem por uma chance no clássico.

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