Percio Campos/EFE
Percio Campos/EFE

Sob forte emoção, Cléber Santana é velado e cremado em Recife

Despedida a capitão da Chapecoense reúne multidão na cidade

Monica Bernardes, especial para o Estado, Estadão Conteúdo

04 de dezembro de 2016 | 20h30

Familiares, amigos e fãs do capitão do time da Chapecoense, o pernambucano Cléber Santana, se despediram do atleta, neste domingo, durante velório na sede social do Sport Clube do Recife, na zona oeste da capital pernambucana. Foi na equipe rubro-negra que o jogador iniciou sua carreira, ainda nas categorias de base. O pernambucano estava no voo com a equipe da Chapecoense que caiu na madrugada do dia 29 de novembro e matou 71 pessoas em Medellín, na Colômbia. Antes de chegar ao Recife, o corpo de Cléber já havia sido velado na cerimônia coletiva realizada no sábado, na Arena Condá, em Chapecó.

O caixão, coberto com as bandeiras da Chapecoense e do Sport, chegou ao clube pouco antes do meio-dia. Mais de três mil pessoas de pessoas, segundo a segurança do clube pernambucano, já aguardavam no local. Às 16 horas, a urna funerária foi levada ao cemitério Morada da Paz, no município do Paulista, na região metropolitana do Recife, onde o corpo foi cremado, às 18h, em uma cerimônia restrita à família e amigos mais próximos.

Durante os dois momentos, parentes e amigos próximos vestiram camisas brancas em homenagem a Santana, que tinha 36 anos e era capitão da Chapecoense. Nas costas, uma das blusas tinha o número 88 do antigo capitão. Na frente, as outras traziam o rosto do jogador com o uniforme do time catarinense.

Nascido em Abreu e Lima, na Grande Recife, Cléber tinha 36 anos e deixou a mulher e dois filhos, um de 14 e outro de 11 anos. Depois de ser revelado pelo Sport - onde atuou na equipe principal de 2001 a 2003 -, ele jogou por times como o Vitória-BA, Santos e São Paulo, além de Atlético Paranaense, Avaí, Flamengo, Criciúma, Kashiwa Reysol, do Japão, e os espanhóis Atlético de Madrid e Mallorca. O jogador estava na Chapecoense há dois anos.

EMOÇÃO

Durante o velório, ainda na sede do Sport, a mãe do meio-campista, Marinalva Santana, precisou ser amparada pelos familiares diversas vezes. Em diversos momentos ela levantava da cadeira onde estava sentada para abraçar o caixão onde estava o corpo do filho. O irmão caçula de Cléber, Cleydson Santana, passou mal e precisou ser retirado do local por amigos. Ele foi atendido por equipes médicas do próprio clube.

A viúva do jogador pernambucano, Rosângela Loureiro, também estava muito emocionada e recebeu muitos abraços e o carinho dos fãs e admiradores do marido. No final da semana passada ela fez uma tatuagem com o rosto do marido e a frase "A sua falta vai ser lembrada até o último dia da minha vida", em uma das panturrilhas.

Muitos atletas que jogaram com Cléber durante sua permanência no Sport foram ao velório. Um deles foi o ex-lateral Russo. "Conviver com o Cléber era uma alegria sem tamanho. Ele sempre foi uma pessoa muito humana, gentil e um profissional dedicado. Dava gosto de ver o jeito como ele encarava a profissão. Ele vai deixar muita saudade, mas também um exemplo muito positivo em todos nós que tivemos a alegria de conviver com ele", destacou.

O ex-zagueiro do Sport Sandro Barbosa também foi levar sua solidariedade aos familiares de Cléber Santana. "A vida de jogador de futebol não é fácil. Passamos muito tempo fora de casa e nossas famílias sentem bastante. Muitas vezes perdemos momentos importantes no crescimento dos filhos, emoções do dia-a-dia. Mas também temos inúmeros momentos de muita felicidade ao lado de quem amamos tanto. E agora é hora de pensar exatamente nestes momentos, neste amor e neste exemplo de ser humano que ele sempre foi", comentou.

Atualmente jogando como atacante do Sport, Túlio de Melo atuou com Cléber Santana na Chapecoense na temporada passada. "Estive presente ontem (sábado) em Chapecó, no velório coletivo e hoje vim acompanhar estas últimas homenagens a este grande amigo. São com certeza os dias mais tristes da minha vida. O Cléber era um cara sensacional, foi referência por onde passou, voz ativa nos clubes, importante demais dentro de campo e com certeza muito mais importante dentro do vestiário, pelo caráter, pelo homem que era e pelo exemplo para todos os jogadores", elogiou o atacante.

Amiga de Cléber Santana desde a adolescência, a professora Maria das Graças era uma das pessoas que puxava o coro de músicas evangélicas, cantadas durante o velório na sede do Sport. "Ele sempre foi um amigo muito querido por todos. Era atencioso e solidário. Sempre que vinha passar as festas de final de ano visitava todo mundo e a casa dele estava sempre aberta para receber os amigos de perto e de longe. Ele estaria chegando no Recife no próximo dia 18, com a esposa e os filhos, para mais uma temporada de alegria. E agora não teremos mais o sorriso e as brincadeiras dele. É muito triste. Por isso temos que pedir força a Deus para que ampare a todos nós e em especial aos familiares. Ele sempre foi o esteio da família", lembrou.

As homenagens vindas da torcida do Sport também foram muitas. O serralheiro José Dantas, de 61 anos, fez questão de abraçar a mãe do jogador. "Eu era um grande fã dele. Ele trouxe muita alegria para o Sport, meu tome do coração. Por isso quis entregar a mãe dele uma carta. Perdi um filho, da mesma idade dele, há seis meses, em um acidente de carro. Quis dizer a ela que entendo a sua dor, mas também lhe passar um depoimento de fé e esperança", destacou.

O presidente do Sport, José Humberto Martorelli, e ex-diretor de futebol (responsável pela contratação do jogador pela equipe profissional, em 2001) também estiveram no velório. "Ele era a alegria em pessoa. Acho que a imagem que nunca vai sair da minha cabeça é a de quando fomos campeões pernambucanos, em 2003. Sua vibração e energia eram tão empolgantes que não tinha quem conseguisse ficar quieto", revelou Martorelli.

APOIO

Em entrevista coletiva, na última nesta sexta-feira, Martorelli anunciou que o Sport doará toda a receita do duelo contra o Figueirense, pela última rodada do Brasileirão, para a Chapecoense. A ideia é que o Sport transfira o dinheiro em uma conta indicada pela Chapecoense e os dirigentes do clube catarinense façam a divisão da renda com as famílias das vítimas mais necessitadas.

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