Sob investigação da Fifa, eleição na CBF pode parar na Justiça

Sob investigação da Fifa, eleição na CBF pode parar na Justiça

Comitê de Ética abre processo para apurar irregularidades

Jamil Chade e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2015 | 07h00

A manobra do presidente licenciado da CBF, Marco Polo Del Nero, para tentar eleger o coronel Antônio Carlos Nunes vice-presidente da entidade na vaga de José Maria Marin provocou a rebelião de dirigentes do Nordeste – que já se articulam para ir à Justiça – e virou alvo de investigação no Comitê de Ética da Fifa.

Membros da Fifa indicaram ao Estado que estão “lidando” com o assunto e querem saber se a convocação de eleições nas atuais condições viola ou não o estatuto da CBF. Um dossiê sobre o caso foi montado e está sendo avaliado pela mais alta cúpula da Fifa. Uma das punições possíveis é a suspensão da CBF do futebol internacional caso fique provado que a eleição ocorreu de forma irregular.

O comitê tentará avaliar o caso antes de quarta-feira, dia da eleição na CBF, e pode optar até por banir Del Nero do futebol. Hoje, já está em curso um processo contra o cartola brasileiro por “sérias violações do código de Ética da Fifa”, de acordo com o órgão.

Del Nero pediu licença da CBF na semana passada, após ser acusado pelo FBI de corrupção. Hoje o presidente interino da entidade é o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES), que só assumiu o cargo porque Del Nero pediu licença e, assim, indicou o vice que o substituiria. Em caso de renúncia, o estatuto determina que o vice mais velho assuma a presidência.

Na última sexta-feira, Vicente convocou as eleições para o cargo de vice e no mesmo dia foi lançada a candidatura do coronel Antônio Nunes, presidente da Federação Paraense de Futebol. O dirigente tem 77 anos e passaria a ser o vice mais velho da entidade. O plano é impedir que Delfim de Pádua, que tem 74, assuma o poder. Delfim é presidente da Federação Catarinense e opositor de Del Nero.

A manobra provocou irritação em um grupo de dirigentes antes ligados a Del Nero. Gustavo Feijó, vice-presidente da região Nordeste da CBF, cobrou na segunda-feira uma posição da diretoria da entidade sobre a situação do Marin. Sem resposta, no dia seguinte ele e mais sete presidentes de federações enviaram uma carta à CBF pedindo o cancelamento da eleição. Agora, ameaçam ir à Justiça para impedir que o coronel Nunes assuma o cargo.

No entendimento dos dirigentes, Marin está afastado por decisão da Fifa, mas sem condenação criminal transitada em julgado. Por isso, seu afastamento é temporário.

“Essa eleição é ilegal. Ela pode até acontecer, mas não tenho dúvida de que vai acabar na Justiça”, disse ao Estado o presidente da Federação Bahiana, Ednaldo Rodrigues, um dos líderes do movimento que pede o cancelamento da eleição.

Na quinta-feira, os presidentes de federações foram comunicados de que Marin enviou uma carta de renúncia à CBF no dia 27 de novembro. Para Rodrigues, o documento não é suficiente para dar garantias legais à eleição. “Essa carta deveria ter vindo a público antes da convocação da Assembleia Geral que vai eleger o novo vice-presidente. A eleição é ilegal porque foi convocada com o cargo ainda ocupado. De nada adianta dizerem somente agora que o Marin renunciou. O erro foi feito lá atrás”, disse Rodrigues.

Após mudança no estatuto, o colégio eleitoral da CBF passou a ser formado pelos presidentes das 27 federações e dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. A entidade está dividida atualmente.

“Sou de um grupo que vê as irregularidades e fala. Tem uma ala que até vê, mas prefere ficar calada, enquanto outros dirigentes infelizmente não enxergam nada”, diz Rodrigues.

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