Lavadeira Jr. / EFE
Lavadeira Jr. / EFE

Sob pressão, Barça e Real duelam em possível último clássico de Messi no Camp Nou

Craque argentino pode deixar o clube ao final da temporada 2020/2021

Leandro Silveira, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2020 | 05h00

O principal clássico do futebol espanhol será disputado neste sábado, às 11 horas (de Brasília), sem a presença do público, com os times sob pressão e com uma possível despedida. Afinal, Lionel Messi poderá atuar pela última vez com a camisa do Barcelona em um confronto com o Real Madrid no Camp Nou.

O clássico pela sétima rodada do Campeonato Espanhol opõe dois rivais em momento de desconfiança e ainda longe do protagonismo de anos anteriores. O Barcelona, com 7 pontos somados em 4 jogos no torneio, tenta se reconstruir após a crise provocada pela derrota por 8 a 2 para o Bayern de Munique, nas quartas de final da Liga dos Campeões na temporada passada, algo que quase terminou com a saída de Messi. Mas ainda com um ano de contrato rejeitou entrar uma briga jurídica para sair do clube e permaneceu para a temporada 2020/2021.

De qualquer forma, se não for convencido a renovar seu contrato, este poderá ser o último clássico no Camp Nou. São, até agora, 22, com 12 vitórias, 3 empates e 7 derrotas, além de 15 gols marcados. Porém, encara jejum de cinco clássicos sem marcar gols no Real Madrid, logo ele, o maior artilheiro do confronto, com 26, sendo o último em maio de 2018.

Ao tentar tirar o Barcelona da crise, Ronald Koeman, que agora participará de seu primeiro clássico como técnico, vem realizando uma aposta que deve ser recorrente no decorrer da temporada: ter vários jovens orbitando sob o talento de Messi, com Ansu Fati sendo o principal deles. Deu certo no meio de semana, quando o time goleou o Feréncvaros por 5 a 1, pela Liga dos Campeões. Mas no compromisso anterior pelo Espanhol, o time havia perdido para o Getafe.

Para o duelo, Koeman tem dúvidas nas laterais, e elas envolvem a situação de Jordi Alba, recém-recuperado de lesão. E se ele for escalado, a disputa ficará entre Dest e Sergi Roberto, sobre quem jogará na direita. Já Griezmann deve retornar ao ataque, após nem deixar o banco contra o Feréncvaros, compondo um quarteto ofensivo com Philippe Coutinho, em boa fase, além de Ansu Fati e Messi.

Koeman, aliás, volta a estar envolvido no clássico após 25 anos. Como zagueiro, foram 14 partidas, com cinco gols, seis vitórias, três empates e cinco derrotas. "Joguei alguns e me lembro dos 5 a 0. Marquei um belo gol de falta. Também me lembro do primeiro clássico, em que marquei dois pênaltis. O primeiro é sempre um pouco mais especial do que os outros", comentou.

Já o Real Madrid teve últimos dias péssimos. Atuando duas vezes em casa, o time sofreu derrotas para adversários modestos, tendo perdido no fim de semana para o Cádiz, pelo Espanhol, e na última quarta-feira para o Shakhtar Donetsk, na quarta-feira, em sua estreia na Liga dos Campeões. No Nacional, soma dez pontos em cinco jogos, atrás dos líderes Villarreal e Real Sociedad.

Os resultados ruins provocaram questionamentos ao trabalho de Zidane, algo inimaginável em um passado recente. Mas para dar uma resposta, confia em seu retrospecto no Camp Nou, onde nunca perdeu como técnico - são cinco jogos, com duas vitórias e três empates.

O treinador francês também terá o alívio de poder utilizar o principal líder do Real Madrid nos últimos anos, o zagueiro Sérgio Ramos, recuperado de lesão no joelho esquerdo e livre para o 45º clássico da sua carreira. A outra aposta deve ser em Vinicius Junior, em grande fase neste começo de temporada, com três gols marcados. Mas o time segue sem poder utilizar Hazard, lesionado.

"Nós sabemos que podemos mudar tudo juntos e os jogadores querem fazer um bom jogo. Como sempre, um clássico é um clássico com duas boas equipes se enfrentando. Vai ser uma boa partida, apesar da situação e do campo vazio que vamos encontrar", comentou.

Em função da pandemia do coronavírus, o Camp Nou, ao invés de receber 90 mil torcedores, estará vazio, assim como os bares e restaurantes de Barcelona, em uma tentativa da cidade de conter o avanço da doença. Distantes os torcedores terão olhares atentos com a intenção de saber como os times vão sair para a sequência da temporada, em um jogo sempre determinante para o rumo dos clubes, hoje oscilantes.

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